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Entrevistas de música brasileira

Palavra Cantada

Palavra Cantada. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Palavra Cantada

parte 20/27

Tenho vontade de fazer um disco meu

Gafieiras  Vocês disseram que fazem uma música que vocês gostam, independentemente de ser para adulto ou para criança. Existe uma vontade de trabalhar uma música exclusiva para adulto?
Paulo – Pra adulto? A gente tem músicas que saem com cara adulta, que a gente não consegue aproveitar…
Gafieiras – Mas há um trabalho voltado para pegar todas essas sobras?
Paulo – Eu, por enquanto, vou canalizando essas músicas para parceiros que façam letras adultas. Eu tenho algumas parcerias com o Arnaldo Antunes, tenho umas parcerias inéditas com o meu irmão Zé, com o Luiz também. E, às vezes, a gente mostra. Às vezes, alguém grava. Então, pra mim essa parte adulta tem uma vazão bem pequena, ora aqui, ora ali.
Gafieiras – Mas vai escoando.
Paulo – Vai escoando, tento escoar mas, às vezes, me dá vontade de formar uma outra banda e formar outro som.
Gafieiras – E você, Sandra, também tem vontade?
Sandra – Eu tenho vontade, mas é gozado, não penso nesse escoamento. Tenho vontade de fazer um disco meu.
Gafieiras – E vocês imaginam o que seria esse trabalho?
Sandra – Não, porque daí a gente caminha pra um lado individual.
Paulo – Pra mim tem que ficar burilando um pouco, procurando.
Sandra – Hoje em dia eu não sei.
Gafieiras – O seu seria cantado, Sandra?
Sandra – Sem dúvida, cantado. Às vezes penso que meu trabalho pode envolver imagem; às vezes, não tem nada, mas tem filme ou uma coisa de performance no meio que não precisa ser a minha, mas pode ser uma coisa eclética. Talvez eu me engane, talvez seja um show comum, mas acho que tem que ter um piano, acho que tem que ter quem eu sou. Já fiquei muito tempo sentada ao piano.
Gafieiras – Você já tem músicas pra isso?
Sandra – Eu tenho poucas músicas, tenho feito mais músicas. Nesse ano fiz mais músicas, mas parei de fazer porque a gente acabou de gravar. Comecei a colecionar umas músicas adultas de novo, mas ainda estou muito… não sei muito bem a forma disso, porque vivo uma situação muito singular aqui na nossa dupla, que é a seguinte: não tenho uma história musical, eu não pertencia a nenhum grupo, fiz música clássica e depois comecei a compor aos 17… Mais tarde fiz a Palavra Cantada. Eu não toquei em banda. Toquei com o Walter Franco um pouquinho…
Paulo – Ahá! [risos]
Sandra – Mas não tenho essa coisa de ter tocado com os amigos porque eu tocava pra fazer concerto no fim de semana. Era isso que eu fazia.
Gafieiras – O piano não é tão móvel assim.
Paulo – Mas aí podia usar o teclado.
Sandra – Teclado eu fui ter com 22 anos. Enfim, eu não vivi essa coisa, essa boa promiscuidade musical que os músicos vivem. Eu saí da música clássica, fiz umas coisas e fui para a Palavra Cantada. Então é difícil porque já tenho a minha personalidade, a minha fase de vida intermediária de formação são 16 anos, e é meio dentro do Palavra Cantada, dentro dessa parceria… Mas estou cada vez mais curtindo e amadurecendo essa idéia.
Gafieiras – Não pode ser estranho o primeiro show-solo de vocês, em que, em vez de criança, tenha na platéia um monte de marmanjo?
Sandra – Eu tenho certeza de uma coisa: se um dia eu fizer um show meu a primeira coisa que eu vou dizer é que eu não vou cantar a “Sopa”. [risos] Já vou entrar dizendo: “Gente, eu não vou cantar a ‘‘Sopa’”.
Paulo – Aí chega ao final do show: “Sopa, sopa!”. [risos]
Gafieiras – Mas, Sandra, que expectativa você tem, além da sua satisfação, ao apresentar esse trabalho-solo?
Sandra – Eu vivo um grande dilema. Embora o Palavra Cantada tenha essas dificuldades todas, nunca fiz um show na minha vida inteira que não estivesse lotado. Eu não sei o que é isso. Não sei fazer um negócio que não tenha um monte de gente interessada. Mesmo quando eu fiz Walter Franco, uma época, um ano, mesmo quando era moça e fazia os concertos, era lotado, que era uma coisa da escola, então havia muita gente. Era um teatro imenso. Não tenho experiência de começar pequeno.
Paulo – Cantar para 40 pessoas.
Sandra – Mas uma coisa eu tenho certeza: para eu me sentir bem, quando eu puder fazer esse trabalho, faria em lugares muito pequenos pra não perder esse referencial de que está lotado. [risos]

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