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Entrevistas de música brasileira

Palavra Cantada

Palavra Cantada. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Palavra Cantada

parte 1/27

Eu e o Hélio fazíamos trilha de rádio-novela e de dança

Gafieiras – Quando vocês realmente se conheceram? Vocês têm o registro da primeira vez que se viram?
Sandra Peres – A gente é sócio há 16 anos, mas fazíamos aula na escola do Ricardo Brein, no Espaço Musical. Eu morava muito longe, em Santo Amaro, e o Paulo morava aqui. Claro que ele chegava antes. Eu não conseguia. E sempre ao lado da cadeira dele havia uma vazia. Sempre ficava vazia.
Paulo Tatit – [cantando] “Sua cadeira está vazia”.
Sandra – E aí, depois de um tempo, comecei a escrever no caderno dele. Havia um desenho… Eu escrevia: “Oi, sócio, tudo bem?” e botava um desenho. E deu no que deu, né? Como posso dizer?
Gafieiras – E qual foi a proposta da união? Quando vocês pensaram em sociedade, havia algum perfil de produção, de se atuar em alguma área específica, ou o que vier a gente traça?
Sandra – Eu tinha 25 anos de idade.
Paulo – É, a Sandra tinha 25 anos, e eu já tinha experiência com o Grupo Rumo e estava trabalhando com o Hélio Ziskind em produções, as mais variadas possíveis – como trilha de rádio-novela e de dança. E o meu trabalho com o Hélio foi ficando muito pesado. Aí a gente começou a virar noite no estúdio e precisou de um outro estúdio pra fazer o trabalho… A Sandra tinha uns equipamentos parecidos com os que eu usava com o Hélio, que eram seqüenciadores, aparelhos MIDI e sintetizadores. Na época não havia computador; eram seqüenciadores. Vi que ela tinha isso e, como precisávamos terminar uns trabalhos, a gente começou a trabalhar junto. Então, foi um acúmulo de trabalho com o Hélio que me fez procurar um outro meio para fazer os trabalhos que tínhamos, entendeu?
Gafieiras – Com o Hélio não era sociedade, então. Era uma parceria?
Paulo – Era uma parceria. Não havia nada no papel. Com a Sandra também ficou sendo uma parceria e somente depois a gente fez sociedade.
Gafieiras  E houve uma mudança no foco de trabalho de vocês, ou melhor, do atendimento da demanda do mercado a realização de um trabalho pessoal?
Sandra – A gente atendia o mercado.
Gafieiras – Essa transição foi tranqüila?
Sandra – A gente atendeu o mercado de 89 a 94 especificamente, fazendo trilhas e o que pedissem. Depois de 94 a gente teve a idéia de criar o Palavra Cantada, mas mesmo assim a gente continuou a fazer algumas trilhas, mas com o sucesso doCanções de Ninar, que foi nosso primeiro disco, a gente foi cada vez mais querendo somente isso de atividade.

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