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Entrevistas de música brasileira

Palavra Cantada

Palavra Cantada. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Palavra Cantada

parte 15/27

Meu pai ouvia Carlos Gardel

Gafieiras – E como foi a sua infância, Sandra?
Sandra – Eu tenho uma formação musical muito interessante, porque os meus pais não ouviam música, não compravam discos, não ouviam música em casa… E comecei a estudar música clássica com sete anos. Eu ouvia o que eu tocava.
Gafieiras – Mas foram eles quem te colocaram para aprender música?
Sandra – Sim, porque eu queria aprender piano.
Gafieiras – Você quem pediu?
Sandra – Eu não sei se foi, mas eu gostava de tocar piano, não sei até que ponto eu queria. Estudar música clássica pra uma criança é muito difícil. E na minha época então…
Gafieiras – Você nasceu em São Paulo?
Sandra – Nasci. Mas não sei como é que fiz música, entendeu? Porque primeiro que eles exigem que você toque coisas muito difíceis. Muito nova você não tem maturidade pra tocar as coisas que eles pedem. Mas eu lembro que meu pai me ouvia quando eu já era mais moça. Não lembro de música na minha infância. A única que eu me lembro eram dos disquinhos coloridos, que tinha a música da Baratinha, do o Braguinha… Aquilo eu lembro com perfeição, a cor do disco, tudo. E depois lembro que, moça, moça, mais moça mesmo, assim com 16 anos, que meu pai ouvia Carlos Gardel. Lembro de uma música que ele gostava muito, acho que era do Vicente Celestino. O Vicente Celestino cantava em espanhol também?
Gafieiras – Havia o Carlos Galhardo que cantava em espanhol.
Sandra  [canta] “Bonequita linda/ nãnañaña.”
Gafieiras  Não era Nat King Cole cantando em espanhol?
Sandra  Pra mim era Vicente Celestino, porque ele falava muito.
Paulo  Não é Vicente Celestino.

Sandra  Lembro dessa música. E lembro depois o meu pai ouvindo Sérgio Reis, “Menino da porteira”, que eu nunca gostei.
Paulo  Eu gostava.

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