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Entrevistas de música brasileira

Palavra Cantada

Palavra Cantada. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Palavra Cantada

parte 14/27

Tive o prazer de ver o Roberto cantando “A volta dos Vips”

Gafieiras – E como era o universo sonoro da infância de vocês?
Paulo – Bem, na minha infância a gente tinha uma empregada doméstica que ouvia rádio o dia inteiro e cantava super bem. Acho que foi ela quem musicalizou eu e o meu irmão Luiz [n.e. Luiz Tatit, compositor e professor de Lingüística da USP], que é músico também. Uma pessoa dentro de sua casa cantando com prazer faz com que aquilo vá entrando, assim, né?
Gafieiras– O que ela cantava?
Paulo – Ela cantava umas coisas de Ângela Maria ou que tocasse no rádio. Daí a gente ouvia o rádio dela. Antigamente havia muita música italiana, música francesa. Meu pai no domingo ouvia música o dia inteiro. Me lembro de ouvir Luiz Gonzaga, mais tarde João Gilberto, Nat King Cole, que eu adorava. Agora, de música infantil me lembro de uma no parque, no jardim de infância, uma ou outra música assim, coisinha bem pouca mesmo. Lá em casa também rolava muita Inezita Barroso, que gostava muito também.
Gafieiras – O que seu pai fazia?
Paulo – Nessa época ele era advogado.
Gafieiras – Sua mãe?
Paulo  Minha mãe era dona-de-casa.
Gafieiras – Era você, o Luiz…
Paulo – Eu, o Luiz, o Zé e depois as meninas, a Ana e a Abigail. Somos em cinco. Mas o que aconteceu? Quando fiz 11 anos, saí do colégio. Havia um menino que tocava violão na rua. Aí eu quis um violão também. Pedi pro meu avô e ele me deu um violão. E, mais tarde, deu um violão para o Luiz. Aí havia essa coisa de tocar na rua. Alguns meninos iam tocando, tudo sem escola, né? Era época da Jovem Guarda. Os mais habilidosos começaram a tocar músicas da Jovem Guarda, que são músicas fáceis. Já havia passado a bossa nova. Pegamos mais a Jovem Guarda. Então, meu percurso foi Jovem Guarda, rock internacional, e a bossa nova chegou depois.
Gafieiras – Quem era a sua referência da Jovem Guarda?
Paulo – Roberto Carlos, Wanderléa e Erasmo Carlos.
Gafieiras – Não havia um segundo escalão pra você?
Paulo – Havia também os Vips, Renato e Seus Blue Caps. Havia o segundo escalão das bandas. Agora, eu tive o prazer enorme de ver o Roberto Carlos cantando “A volta dos Vips”. [canta] “Estou guardando o que há de bom em mim.” Fui acordado um dia desses com essa música. Achei maravilhosa a interpretação dele, não sei se é nova, de algum disco novo. Era um caminhão vendendo não-sei-o-que-lá, aliás, convidando todo mundo pra ir à igreja. Foi esses dias na Vila Madalena, a igreja da rua Girassol. Ia ter uma quermesse ou uma coisa assim.

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