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Entrevistas de música brasileira

Noite Ilustrada

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Noite Ilustrada

parte 10/14

Fui levado para a Trama pelas mãos do Fernando Faro

Tacioli – Como estava sua carreira antes de Perfil de um sambista? E o que ele representou?
Noite Ilustrada – Como eu disse, passei dez anos pelo Norte/Nordeste e lá gravei pela Polydisc. Dei uma sorte em termos de gravação porque os discos começaram a vender bastante por aqueles lados. Depois vim para São Paulo e a essa altura me desliguei da Polydisc. Foi quando recebi esse convite do Fernando Faro para irmos para a Trama. Fiquei feliz porque não sabia o que ia acontecer comigo em São Paulo. Como eu já estava deslocado há muito anos, não sabia nem com quem eu deveria falar ou tratar em termos de discos. Fui levado para a Trama pelas mãos do Fernando Faro. Lá tive a felicidade de conhecer o João Marcelo [n.e. Bôscoli, diretor artístico da gravadora], que é uma criatura belíssima. Ô menino decidido! Não é aquele negócio que você entra em escritório de gravadora, “Espere aí que eu tenho que acertar com não-sei-quem”; é o horário da canseira. Com ele não tem esse babado, não!
Tacioli – Você conhecia a Trama antes da gravação desse disco?
Noite Ilustrada – Não, não conhecia.
Tacioli – E como é que foi o processo de gravação? Você passou 50 músicas para o Faro. Que músicas que não entraram no disco que estavam nessa relação?
Noite Ilustrada – Para ser franco, nem me lembro mais, faz tanto tempo.
Tacioli – Você já havia trabalhado em disco com o Fernando Faro?
Noite Ilustrada – Não, foi o primeiro disco. Antes, só fizemos o Ensaio [n.e. Programa da TV Cultura criado e produzido por Fernando Faro].
Tacioli – E já conhecia o Bocato e o Sizão Machado?
Noite Ilustrada – Não, os conheci na época da gravação. Do Sizão já tinha ouvido falar. Ele trabalhou com a Elis Regina. O Bocato conheci somente agora. Por sinal, calhou bem, porque o Bocato, como o Sizão, é um cara simplório, fácil de falar, não é um músico bobo e é muito viajado. Tanto ele como o Sizão são muito bons músicos.
Tacioli – A idéia do disco foi recriar uma atmosfera sonora que já existia?
Noite Ilustrada – A maioria das músicas eu já havia gravado, com exceção de “Perfil de um sambista”, “Beco sem saída”, “Meus vinte anos” e “Minha primeira escola”. Essas são as novidades.
Tacioli – Sua música circula bem no Norte/Nordeste. Após o lançamento desse disco, você teve uma resposta melhor em São Paulo?
Noite Ilustrada – Não, não tive. É até uma das coisas que eu reclamaria com a Trama, apesar de todos os cuidados que eles tiveram. Faltou essa garra de mídia dentro de São Paulo, de mais comunicação, mais entrosamento, porque como fiquei muito tempo fora de São Paulo, perdi a identidade. E a gravadora tem a possibilidade de mexer com tudo isso; faltou garra para ir ao encontro da mídia.
Tacioli – Essa era a expectativa que você tinha com o disco?
Noite Ilustrada Eu pensava que a Trama fosse cair por aí, porque os canais de televisão estão todos aqui em aqui… [se engasga] como é que é? Emetevi?
Tacioli – MTV?
Noite Ilustrada – MTV. Se está tudo aqui por que não atacar todos. Os programas de televisão, queira ou não, são vistos por alguém. Fizemos bastante jornais, que também valeu. Mas essas televisões eram necessárias.
Tacioli – Como havia muitas músicas para esse disco, existe a possibilidade de um volume 2? Quais são os próximos planos discográficos?
Noite Ilustrada – Em termos de disco, honestamente, tem duas situações para conversar com o Faro ou com o João Marcelo, se eles quiserem ainda que eu faça. O que existe no nosso contrato são dois CDs, mas preciso ver se dá para fazer o que eu estou pensando. Na minha cabeça está assim: eu podia fazer um CD com músicas inéditas, porque o que não me falta é música inédita. Tá vendo isso aqui? [aponta para um pacote] É tudo o que mandam para mim. Ainda não ouvi. Fora as músicas guardadas. Outra coisa é dar seqüência à série Arquivo, que fiz quando eu estava na Continental. Gravava essas músicas antigas e como também gravava um disco com músicas inéditas. Trabalhava o inédito, já que o antigo ia sozinho, sem forçar, porque eram músicas que já tinham sido gravadas.

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