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Entrevistas de música brasileira

Noite Ilustrada

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Os termos do eterno sambista

Ex-lateral-esquerdo, Mário de Souza Marques Filho ainda carrega, aos 73 anos de idade, a mesma elegância que o fazia posar para fotos da esquadra do Comercial do Rio de Janeiro na década de 1950. Com a vida bifurcada entre o futebol e a aspirante carreira de cantor amador, um convite do célebre humorista Zé Trindade para integrar como violonista uma excursão de sua caravana bastou para traçar seu futuro. De sua gratuita semelhança com Pelé, o mineiro criado no Rio de Janeiro e catapultado para o sucesso em São Paulo construiu uma carreira tão coerente como a de seus ídolos da velha guarda.

“Saúde!” Com o copo nas alturas, Noite Ilustrada benze a entrevista e aprova as cervejas, o destilado e algumas porções dispostas na mesa, munição para as próximas duas horas de bate-papo. No escritório montado em sua residência em Atibaia, Noite Ilustrada expõe alguns de seus troféus e discos e, ainda empacotadas e amarradas com barbante, dezenas de músicas inéditas que recebe periodicamente. Outras tantas autorais aguardam no armário de madeira o momento para se revelarem em disco. “A pinga?! É do sítio do primo da minha mulher. É especial!”

De volta à grande imprensa em 2001 graças ao lançamento de Perfil de um sambista (Trama), o cantor de voz grave não se intimidou em recompor sua infância em Pirapetinga, as lembranças dos pais separados e a criação em colégios internos, onde prefaciou sua trajetória artística em grupos vocais a Anjos do Inferno e Bando da Lua. Aprumado em uma rápida construção cronológica, o herdeiro musical de Ataulfo Alves ainda confessou sua decepção com Adoniran Barbosa, minuciou as dificuldades financeiras que enfrentou no final dos anos 60 e que quase o promoveram a motorista de caminhão de lixo, e diagnosticou suas ansiedades atuais.

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