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Entrevistas de música brasileira

Ney Matogrosso

Ney Matogrosso por Caroline Bittencourt

Ney Matogrosso

parte 15/15

Eu tinha uma Mobilete

Raquel Zangrandi Ney, vi em uma entrevista sua que a cada ano que passa você tem trabalhado mais.
Ney Matogrosso –
Eu estou trabalhando mais.
Raquel Zangrandi Essa quantidade de trabalho vem até você ou você vai até ele?
Ney Matogrosso –
Vem até a mim. E aí eu fico assim: “Ah, eu não vou deixar de fazer isso. Ah, eu não vou deixar de fazer isso”. Quando eu vejo, não paro, não paro.
Raquel Zangrandi Mas concepção de show você comanda?
Ney Matogrosso –
Sim.
Raquel Zangrandi Quero dizer, a ideia de show…
Ney Matogrosso –
Meu ou desses?
Raquel Zangrandi Dos seus.
Ney Matogrosso –
Dos meus tudo parte de mim.
Raquel Zangrandi Mas você tem recusado convites?
Ney Matogrosso –
Olha, eu recusei alguns, mas aceitei muitas coisas nesse último ano.
Raquel Zangrandi Tem uma demanda boa?
Ney Matogrosso –
Tem, tem, continuo recebendo. Estou dizendo não porque senão não vou começar o meu. Agora já parei, só vou terminar a Ana Cañas, que eu tenho que fazer a luz dela, e essa é a última coisa que eu faço antes do meu trabalho; eu preciso me voltar pra ele.
Raquel Zangrandi O próximo show.
Ney Matogrosso –
É.
Wal Raizer Ney, você tem um público gigantesco, como ele chega até você? Você tem e-mail?
Ney Matogrosso –
No máximo e-mail… Eu não tenho essas coisas sociais…
Wal Raizer
Não, não, não, isso eu sei que você não tem, mas como você sabe que o seu público se relaciona com você, somente nos shows?
Tacioli – Fã clube.
Ney Matogrosso –
É o show, que é o cara a cara. É o que me interessa. O resto não quero, não quero. Olha, essa história que as pessoas (falam) assim: “Eu tenho seguidores!”. Deus me livre de ter seguidor. Eu não sou…
Tacioli – Antônio Conselheiro.
Wal Raizer Jesus.
Ney Matogrosso –
[risos] Não sou guru! Ter seguidores, tá doido.
Max Eluard – Mas, mesmo não querendo e não se sentindo um guru, muitas pessoas se identificam e projetam em você muita coisa.
Ney Matogrosso –
Não pode projetar coisas em mim, pode se identificar comigo, com meus pensamentos, com as minhas ideias, com a minha maneira de estar na vida.
Max Eluard – Bem, como modelo, né? E como você lida com isso, Ney? Você não pensa nisso?
Ney Matogrosso –
Não, eu não penso que eu sou um modelo. Eu não penso nisso. Não sou modelo de nada, eu sou uma pessoa procurando, né? Eu tô aqui procurando (respostas). Como é que a gente passa? Como é que a gente fura essa onda? Como, nessa canoa furada, a gente vai atravessar essa maré, né? Eu tenho a consciência disso, de que estamos todos numa canoa furada. Mas não sou um que está levando ou conduzindo, eu estou junto. Tenho a consciência de fazer parte disso, dessa época que nós vivemos. Sou contemporâneo dessas pessoas, vivemos todos nesse momento de trânsito acelerado na terra.
Tacioli Já teve ou tem um Ney cover?
Ney Matogrosso –
Vários, vários. Tem um que dá entrevista. Ele lê minhas entrevistas e aí alguém pergunta as mesmas coisas, ele responde o que eu respondi. [risos]
Raquel Zangrandi Ele se parece fisicamente com você?
Ney Matogrosso –
Não, não.
Tacioli – Como é?
Ney Matogrosso –
Não, ele é doido. [risos]
Raquel Zangrandi Mas ele canta, ele se apresenta?
Ney Matogrosso –
Não, eu acho que ele dubla, não sei.
Raquel Zangrandi E como você ficou sabendo?
Ney Matogrosso –
Me mostraram na internet. Aí eu dou uma entrevista, tem uma pessoa que trabalha lá com ele que reproduz a minha entrevista, e refaz a entrevista com ele.
Max Eluard – Tem sósia também?
Ney Matogrosso –
Humn?!
Max Eluard – Ele é um sósia, ele se parece (com você)?
Ney Matogrosso –
Não, não, não parece comigo. [risos] Pois é, pra você ver o tipo de coisa (que aparece), não dá pra você alimentar.
Raquel Zangrandi É uma aberração.
Ney Matogrosso –
Não dá pra ficar alimentando isso. Eu não alimento esse tipo de coisa, sabe, mas as pessoas que me conhecem, que prestam atenção, já sabem, porque eu já falei isso muitas vezes. Eu não alimento essa loucura de fã, fanatismo. Eu não alimento isso! No máximo, se quiser se aproximar de mim, se aproxima calmo, que vai ser bem recebido. Agora, se aproximar querendo me agarrar, querendo me puxar, querendo me rasgar, sai, eu dou porrada, dou porrada! “Sai, tá louco? Vai me puxar, vai me rasgar?!” Uma vez eu estava saindo de um show em São Paulo… Eu tinha uma Mobilete. [risos] Eu saí de Mobilete do show. [risos] E na hora em que eu estava saindo, alguém agarrou meu cabelo. E eu saindo com a Mobilete! A pessoa ficou com a mão cheia, mas eu virei e meti a mão, sabe? Disse: “Vai tomar no cu!”. Como alguém faz isso?
Tacioli – Ney, obrigado pela conversa.
Ney Matogrosso –
Vamos pedir o lanchinho?

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