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Entrevistas de música brasileira

Naná Vasconcelos

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Naná Vasconcelos

parte 6/10

A idéia é contar histórias com música

Gafieiras – Quando você chega num espaço novo, qual é a relação que você estabelece com ele? Tive a impressão que você domina o espaço mais que uma pessoa normal.
Naná Vasconcelos  Está me chamando de anormal?! [risos] Eu me dou com o som. Tem muito a ver com a energia de um fotógrafo, que vem tirar uma foto minha, mas que, às vezes, me incomoda. E tem outros que não, com os quais você fica à vontade. Então, quando entro em qualquer lugar, procuro saber onde está o rumo, o ponto. E sempre chego com meu berimbau. E mesmo na minha casa tem o lugar dele, que ele escolheu. Lá é do lado da minha cama.
Gafieiras – Você parte muito de uma imagem para buscar um som e vice-versa?
Naná Vasconcelos – Às vezes você me dá uma música pra colocar uma percussão e quero saber o que ela é pra você. Daí eu imagino pra poder compor. Porque o som da floresta não é o som da selva. Floresta é floresta, selva é selva. Selva é mais densa. É selva mesmo que você quer? Qual é a idéia, qual é a cor? É como se tivesse cor.
Gafieiras – Importam mais as imagens ou contar uma história com a música?
Naná Vasconcelos – A idéia dos meus shows-solos é contar histórias com música, sem falar. As imagens vão mostrar; o cenário vai mostrar a história. “Vamos pra selva!” Aí quero levar você lá pra selva por meio dos sons, como uma tarde no Norte. Uma coisa ajuda a outra, só que eu não uso palavras, uso sons pra contar essa história, para mostrar essas imagens. Na noite, no dia e no nascer, o medo. O medo é engraçado. Uma vez eu estava na Índia com o Egberto [Gismonti] e chegou um senhor que assistiu nosso concerto. “Grava essas coisas pra mim?! Minha filha nunca ouviu um som desse.” Ele foi lá no hotel durante o dia. Era uma cidade pequena. E eu toquei o instrumento. “Agora faça um som de medo.” Comecei a fazer. O Egberto estava olhando e começou a sorrir. “Quaquaqua!” “Que foi?” “Estás fazendo uma trilha sonora pra esse rapaz.” É, eles usam. E ele fez isso, contou histórias com um som de terror, com um som de alegria. É, na Índia é assim, produzem muitos filmes…

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