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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 8/28

Eu vivia para o Rumo, não vivia para a Ná

Tacioli – Você acha que a Ná Ozzetti em carreira-solo tem uma comunicação diferente com o público daquela da época do Rumo?
Ná – É que no Rumo não existia a Ná Ozzetti. Eu vivia para o Rumo, não vivia para a Ná, entende? Acho que o grupo tem isso, o que é muito bacana. Tinha o maior prazer em trabalhar pra linguagem do Rumo, e a gente fazia tudo pra fortalecer a linguagem e não pra carreira de cada um. Também por isso que senti a necessidade de começar uma carreira-solo. Vontade de experimentar outras coisas, trabalhar com outros músicos. E daí comecei a minha carreira-solo.
Tacioli – E como era você, musicalmente, antes do Rumo?
Ná – Bom, passei por várias fases. [ri] Na infância, sempre fui apaixonada por música e sempre quis ser cantora. E cantora mesmo, porque era muito fascinada pelas cantoras. A primeira foi a Rita Pavone [ n.e. Cantora e atriz italiana de muito sucesso na década de 1960, principalmente por causa da música “Datemi un martello” ], depois a Elis Regina. E aí depois vieram as outras. Havia também os Beatles e, na época da Jovem Guarda quando era criança, amava o Roberto Carlos e gostava muito daquelas músicas dele com o Erasmo [Carlos]. Então era isso. E sempre gostei, depois na época dos festivais, do Chico Buarque. Era apaixonada pelo Chico, Caetano e o Gil. Adorava aquele programa… Acho que era o Tropical…? Não, não era o Tropical… Qual era o programa? A Elis Regina apresentava…
Tacioli – Fino da Bossa? [ n.e. Programa da TV Record, de 1965, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues ]
Ná – Não era o Fino da Bossa. Alguma coisa Som Livre? Não era o Som Livre Exportação? Que tinha os Mutantes também? Então, adorava esse programa por causa dos Mutantes, porque eles tocavam e… Será que era? Não me lembro mais.
Tacioli – Não era o Divino Maravilhoso? [ n.e. Dirigido por Fernando Faro e Antônio Abujamra, o programa teve vida curta, em 1968, na TV Tupi, e era apresentado por Caetano Veloso e Gilberto Gil]
Ná – Divino Maravilhoso? Os Mutantes participavam também? Acho que era o Divino Maravilhoso.
Dafne – É que o Som Livre Exportação foi mais pros anos 1970 [ n.e. Dirigido por Solano Ribeiro, Augusto César Vanucci, Carlos Alberto Loffler e Walter Lacet, o programa foi exibido pela TV Globo entre dezembro de 1970 e agosto de 1971, sempre às quintas, e com apresentação de Elis Regina e Ivan Lins ].
Ná – Ah, não, porque assistia os dois, e o Divino Maravilhoso… é de 1968?
Dafne – Deve ser.
Ná – Ah, então é isso, estava no primário. E tinha os Mutantes também, não tinha?
Tacioli – Tinha. E o Caetano e o Gil.
Dafne – Os Mutantes também apareceram no programa do Ronnie Von. Foi onde eles surgiram.
Ná – Acho que era esse Divino Maravilhoso. Lembro que estava no primário. Como adorava esse programa.
Dafne – TV e rádio eram os meios que…
Ná – TV e rádio. E a gente comprava discos também. Eu mesma não comprava na infância, mas meus irmãos compravam. Em casa era Beatles. E aí, na adolescência, comecei a gostar muito de Vinicius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto. Escutava muito essas coisas. E, um pouco depois, no meio da década de 70, na adolescência mesmo , já era o Clube da Esquina. Nossa! Eu adorava. Tinha todos aqueles discos.

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