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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

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Ná Ozzetti

parte 6/28

Se tiver que voltar pra cidade, volto

Max – O que você ganhou já de mudar pra cá? O que mudou na sua vida?
Ná – Primeiramente, deixa eu só responder uma pergunta que acho que foi o Tacioli fez… Eu não estava infeliz na cidade, de jeito nenhum, não procurei…
Max – (…) Fugir.
Ná – Não! O que aconteceu foi o seguinte: o Neco começou a trabalhar fora da cidade, aqui na Anhanguera. E ele começou a enfrentar muito esse vai-e-vem. Pra ele começou a ficar um pouco puxado. Aí ele conheceu Jundiaí e me perguntou se toparia mudar pra cá, já que era perto de São Paulo. Puxa, sempre tive um sonho de ter um sítio. Aí falei: “Já que é pra sair da cidade, não quero ir pra uma cidade de interior. Quero ir pro mato! Vamos procurar um sítio”. A gente está aqui há sete anos e coincidiu com a aparição da internet. Então, a minha preocupação era não perder a comunicação, porque meu trabalho depende dessa comunicação. E eu também não queria ir pra um lugar longe, não queria ficar afastada de São Paulo. Minha vida toda ainda continua em São Paulo. Só que moro no mato. Mas a vida está lá, completamente.
Tacioli – E de ganhos, Ná?
Ná – Ganhei… nossa! Acabou com a rinite [risos] que eu tinha em São Paulo. Olha, é muito gostoso, mesmo sem o convívio com as pessoas. A vizinhança… tem um outro ritmo.
Max – Para o seu trabalho ajudou em alguma coisa?
Ná – Pro trabalho não mudou nada. Não sei, se teve (alguma mudança) pode ter sido muito sutil. Mas, diretamente, que eu perceba, não vejo mudanças. Em São Paulo já tinha uma vida muito caseira. Muito. Todo o meu dia-a-dia de trabalho sempre foi em casa, sempre trabalhei em casa, meus estudos, ensaios, tudo foi em casa. Sinto que perdi um pouco de vida social. Por exemplo: participava muito mais dos eventos culturais da cidade, sempre ia ver show de todo mundo. Cinema? Acabou, né? Agora só consigo ver em DVD e olhe lá. Mas foi uma opção também. Quando mudei pra cá tinha uns 40 anos já e já tinha vivido bastante tudo o que a cidade me ofereceu. Agora posso também experimentar esse outro lado. Também estou aberta. Se tiver que voltar pra cidade, por algum motivo, volto.
Tacioli – Mas não se desfaz do sítio.
Ná – Se tivesse que me mudar pra cidade nesse momento, tentaria manter aqui. Mas não sei o que vai acontecer. Tem coisas que fazem parte do meu ser, as aulas de dança e ioga, e não consigo me imaginar vivendo sem. Acho que sempre vou ter que ter uma relação com essas atividades. E essas referências estão em São Paulo. Tô aqui há sete anos e não consegui largar a minha professora de dança, que é de lá, e o curso de ioga que não tem aqui em Jundiaí. Quero dizer, se tivesse que voltar pra cidade estaria muito feliz porque ia praticar muito essas coisas que gosto.
Tacioli – Você falou do Rio de Janeiro. Nunca pensou em se mudar pra lá?
Ná – Não, nunca pensei. Na verdade, quando me casei com o Neco, ele morava no Rio, foi criado no Rio. E estava até com a esperança de que fosse me mudar pro Rio [risos], mas ele se mudou pra São Paulo antes.
Dafne – Ô, diacho! [risos]
Ná – Estava achando que ia ter que me mudar pro Rio, daí ia gostar porque estaria com uma estrutura de casamento. Antes disso, do Neco, achava que era muito difícil. Não tinha coragem de me aventurar no Rio, sabe? Porque sabia que, profissionalmente, São Paulo era mais fácil pra mim. Era muito mais conhecida em São Paulo, todo o meu círculo de amizades estava em São Paulo. Se tivesse, muito jovem, ido pro Rio de Janeiro, aí sim, né? Mas logo no começo da minha carreira já entrei no Rumo, que era tipicamente paulistano. E acabei ficando muitos anos no Rumo. Quando comecei a minha carreira-solo foi uma fase muito complicada, de conseguir se sustentar, do trabalho. Ao mesmo tempo, estava beirando os 30 [anos], então, partir do zero a essa altura, ir pro Rio… Nunca tive essa condição, essa coragem. E logo em seguida conheci o Neco.

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