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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 25/28

Nossa, tô falando de uma forma tão hermética

Ná – Tem uma coisa que acho muito interessante e que meu professor de ioga fala porque a gente fica muito na mente… O que é a meditação? O que é a oração? É abandonar sua mente um pouco, sair dessa coisa racional e entrar numa outra frequência. É você permitir isso. Acho que a natureza vibra, são frequências, então acho que a oração é você se conectar com a natureza, com o cosmos, que é um mistério também. O que existe além da Terra? É muito grande isso tudo, sabe? Acredito em Deus, acredito nessa grandeza toda. Então sinto que a minha necessidade de oração é uma necessidade de conexão diária, como um alimento. É como se estivesse presa a um cordão umbilical com algo que rege tudo isso. E a oração é uma forma… Alguém criou essa oração, que é um mantra, que seja, que é uma forma de estabelecer essa conexão. E aí voltando a ioga: tem uns asanas que são muito difíceis de fazer. Tem umas posturas que você tem que ficar lá e, na verdade, não é pra você ficar curtindo a dor que aquela postura traz mas, por meio da respiração, você para de sentir e pensar na dor e transfere pro corpo, e aí para de doer. Então, você para de estabelecer aquela dificuldade. Tudo que você vai botando na mente, na hora de fazer algo difícil, você para de pensar e vive aquilo. Acho isso o máximo. É uma sabedoria! Porque a coisa é que você viva a vida com seu corpo que está aqui, tenha a saúde do corpo pra viver a vida, e não ficar pensando na dificuldade que isso tem pra você. A ioga, de certa forma, e o caminho com a espiritualidade é assim também, você vive a sua vibração, porque depois você vai ficando com o corpo muito… Nossa, tô falando de uma forma tão hermética.
Tacioli – Não, tá bom.
Ná – Mas é que na cultura hindu eles não separam espírito de corpo. Ao mesmo tempo em que a ioga tem uma prática que é física, que trabalha os alongamentos, isso vai gerando saúde também porque vai abrindo os canais de energia dos órgãos. Então, a energia vai fluindo melhor, seus órgãos ficam mais oxigenados, mais alimentados e, ao mesmo tempo, aquilo vai dando uma transformação no seu ser, porque a partir do momento em que você para de se reger tanto pelo racional, seu corpo e mente ficam um todo. E você já fica com uma ética que vem naturalmente. Comecei a fazer ashtanga e tem até uma explicação teórica sobre a prática da ashtanga… Mas é que você, pela prática do corpo, vai aprimorando seu ser. Então você vai ficando uma pessoa melhor. Você vai entendendo melhor o outro, onde está o seu papel, até onde você vai. E é muito bacana. É a totalidade. Acho que é esse o caminho da espiritualidade. É o caminho da vida, na verdade. Comecei a fazer ioga em São Paulo, mas quando mudei pra cá fiquei um tempo sem fazer. Depois voltei a fazer e comecei a ashitanga também. Hoje em dia faço aqui em casa mesmo, tento praticar diariamente. A ioga tem essa vantagem.
Tacioli – O Neco não acompanha, não?
Ná – O Neco é um peixe. Ele nada. [risos]

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