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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 24/28

Sou super espiritualizada, mas não lido com religiões

Tacioli – Ná, como você lida com o fim das coisas?
Ná – O fim? Depende do que, né? [risos] Tem coisas que dou graças a Deus que terminam, tem coisas que são muito dolorosas, depende do quê…
Tacioli – Fim da vida.
Ná – Não gosto nem de pensar nesse assunto. Mas é engraçado… A coisa que tinha mais medo de enfrentar na vida, já enfrentei. Agora tenho outros medos. Sempre achei que não ia suportar perder meu pai. E quando isso aconteceu foi de uma forma que entendi, de verdade, que era uma coisa natural. A gente sabe que é o fim, mas o difícil é você viver o momento. E vivi essa passagem de uma forma muito serena. É claro que dói, é muito difícil, mas foi de uma forma muito mais serena do que imaginava. Então acho que as coisas tem o seu momento e elas acabam mesmo, qualquer coisa, até um trabalho. Nunca tenho pena de terminar um trabalho. Quando tô sentindo que ele já deu, já sinto vontade de ir pra uma linha nova, de experimentar algo totalmente novo. Então, acho que lido assim.
Tacioli – E espiritualidade, tem isso?
Ná – Sou super espiritualizada. Não sou espírita, também não lido com religiões, nenhuma. Acho que fecha demais. Tanto que não sou praticante de religião nenhuma. De nascimento sou católica e sou religiosa. Rezo. Eu me sinto muito melhor nos dias que rezo. No dia que não rezo parece que algo faltou. Então, tenho muita necessidade dessa prática religiosa, mas de uma forma que, pra mim, é um mistério. Simplesmente rezo e não fico pensando o que vai acontecer comigo depois que morrer. Mas sei que a minha essência, de alguma forma, vai ficar. E dos que se vão, dos que partiram até hoje, não sei, algo continua.
Max – No mínimo em que fica.
Ná – Pois é, mas acho que cada ser é muito complexo, muito poderoso pra virar nada, pó. Isso pra mim, né? Acho que não justifica a vida.
Almeida – Mas qual é essa continuidade?
Ná – Isso pra mim é um mistério. Não sei e não tenho curiosidade de saber. Porque já li livro kardecista e não me identifiquei. Não tô falando mal de nada, estou falando de uma coisa pessoal, de identificação mesmo. Com qualquer religião. Já frequentei budismo, que é uma religião em voga no mundo. Tem algumas coisas do budismo que me identifico demais, mas algumas coisas sempre caem naquela coisa do dogma. Então prefiro não seguir religião nenhuma. Agora tenho me identificado muito com a ioga. Na ioga, a gente tem uma prática de meditação e os próprios asanas são… como fala, eles dizem essa concentração faz com que você, sei lá… Vocês querem ir por esse caminho? [risos]
Almeida – Sim.

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