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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 23/28

Dei aula pro Tony Bellotto

Max – Você tinha prazer em ensinar?
Ná – Sim. Ver uma pessoa progredir… Tem alunos que te dão muito prazer, uns mais que outros. Sim, tinha muito prazer em dar aulas. Hoje é difícil conciliar porque sobra pouco tempo, mas naquele momento… Tinham alunos que me estimulavam. É engraçado quando você tem que atender individualmente alguém. Não somente dar aulas, mas quando a pessoa faz aquilo de forma meio arrastada, ela não vai a fundo, não demonstra muito interesse, juro, parece que você está carregando chumbo. Cantava de dar dor nos músculos pelo esforço que fazia de tentar passar alguma coisa pra aquela pessoa. Agora, quando a pessoa tem interesse… Nossa, pegava uma carona nessa energia e ficava com muita vontade de fazer aquilo com mais estímulo. Então, a Rita [Ribeiro] era uma pessoa assim, porque ela tinha aquilo muito forte como objetivo. Era uma aula estimulante. Tô citando a Rita [Ribeiro], mas muitos outros alunos me geravam esse estímulo.
Tacioli – Era aula de canto? Como se definia essa aula?
Ná – De técnica vocal.
Tacioli – E, na média, o que as pessoas esperavam ao fazer essa aula com você?
Ná – Elas queriam cantar. Desde gente que tinha vontade de ser profissional, gente que já era profissional, gente de teatro, de dança também. Até aparecia gente que era, sei lá, professor de educação física que não tinha a menor musicalidade. Nossa, eu queria morrer [ri], mas esses não duravam muito. Já mandava ir pra uma fono. [risos] Meu papo é música.
Dafne – Não é gagueira! [risos] E esse período de aulas durou quanto tempo?
Ná – Dei aula muito tempo, porque no Rumo todo mundo tinha outro trabalho e eu não. No começo era estudante de Artes Plásticas e depois cantora. Mas logo na sequência precisei começar a me sustentar. E o Rumo não dava dinheiro. Daí o Paulo [Tatit] percebeu esse meu dilema e começou a falar: “Ná, você precisa ter um sustento, porque o Rumo não vai te sustentar; porque você não dá aula de canto? Eu dou aula de violão, o Akira [Ueno] dá aula de violão; você podia dar aula de canto”. E eu nunca tinha dado aula. Aí ele falou: “Sabe que você pode fazer? A gente vai ser suas cobaias. Então você dá aula pra gente, dá o que a sua professora te dá”. Aí dei aula pro Akira [Ueno], pro Paulo [Tatit], pro Pedro [Mourão]. Passava o que a minha professora começava a dar. Daí os vizinhos começaram a me procurar. E aí eles [Paulo e Akira] começaram a me mandar os alunos deles. Então… Ah, sabe pra quem dei aula? Pro Tony Bellotto antes dos Titãs. Ele era aluno, não sei se do Luiz [Tatit], mas alguém mandou pra mim.
Almeida – E o piano que você estudou? Você pensa em se apresentar tocando?
Ná – Não acho que toco piano suficientemente pra me apresentar. Fico com muita vergonha, mas gosto de tocar, só que por enquanto não penso em me apresentar, não.
Tacioli – De instrumento… é somente piano?
Ná – Piano. Toco também um violãozinho básico. Só sei aquelas posições básicas.
Almeida – Pra compor você usa os dois?
Ná – Uso o piano. Toco mais piano.

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