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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

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Ná Ozzetti

parte 22/28

Tentei montar uma fábrica de macarrão com um amigo

Max – Como você se vê como artista? Qual a sua função como artista? Você pensa nisso?
Ná – Não penso muito nisso, da minha função. Eu faço, não sei…
Max – Não no sentido de ser útil, mas qual o seu ofício, qual o mandato da artista?
Ná – Na verdade, faço música por amor à música. Não consigo me ver sem… Já tentei no começo, na época do Plano Collor… [risos] Realmente foi uma época [difícil], estava começando minha carreira solo, de forma até independente, porque lancei [meu primeiro disco] pela gravadora Continental, mas não tive muito retorno. Foi uma época em que meus trabalhos, os poucos que tinham na época, zeraram totalmente. Então pensei: “Puxa, acho que já era a minha carreira, não dá, não vejo a menor perspectiva”. E daí comecei a pensar no que poderia fazer que não fosse música. Falei: “Vou ter que arrumar uma outra profissão”. Até tentei montar uma fábrica de macarrão com um amigo meu. [risos] Mas ele não quis; ele fazia macarrão muito bem. Mas, enfim, nesse momento ficou muito claro que não poderia fazer outra coisa bem, que teria que fazer música mesmo. Ficou muito claro isso. Por sorte foi um momento em que dava aulas de canto e tive muita procura. Tinha uns 25 alunos e dava 25 horas de aula por semana. Isso me sustentava, começou me sustentar legal e aí pegava esse dinheiro e fazia aula de dança com ele, fazia os cursos que queria fazer, fui estudar piano com o Ricardo Breim. No mínimo queria ser feliz. [ri] Então, sou feliz fazendo dança, fazendo piano, sei lá, convivendo com a música pelo menos. Só que, felizmente, as coisas vão mudando e surgiu logo uma oportunidade. Como não estava fazendo shows, tinha todo tempo pra fazer o que quisesse. Concentrava todas as aulas em dois dias e ficava que nem louca. O resto da semana era livre. Então foi aí que comecei a compor. A composição também veio pelo prazer, não porque queria fazer um disco. Achava que minha carreira já era nesse momento. Então falei: “Vou ser uma pessoa feliz que faz música, canta, dança, toca piano”. Mas o que aconteceu é que… já tinha um monte de composições, porque comecei a compor com o Itamar [Assumpção], com o Luiz [Tatit], tudo de farra. E surgiu a oportunidade de gravar esse disco, Ná. [ n.e. Segundo álbum da cantora, lançado em 1994 pelo selo Núcleo Contemporâneo ] Lembro que foram uns dois anos nessa vida [ri], nesse período sabático. [risos] E minha carreira tomou novo rumo a partir de então.
Almeida – Desses alunos que você teve, algum se tornou profissional?
Ná – Sim; é que não gosto muito de falar, né?
Almeida – Ah, não, é indelicado?
Dafne – De nomes?
É que parece que tô querendo me gabar. [risos]
Almeida – Vou tentar outra pergunta.
Dafne – Teve algum que estourou? [risos]
Daniel – Alguém deve pra você? [risos]
Ná – Não, ninguém deve pra mim. Fui professora da Rita Ribeiro. Quando ela veio do Maranhão, ela teve, acho, um ano de aula comigo. Aliás, já era ótima nessa época e foi uma aluna que falei… “Nossa, essa aí vai…”.

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