gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 21/28

Quando entrei no Rumo fui estudar canto lírico

Tacioli – Antes da gente começar oficialmente a entrevista você dizia que estudou os cachorros, como também as árvores. Essa questão da profundidade, quando você gosta de um assunto, sempre permeou sua vida? Gostar de cachorro é uma coisa, mas gostar e estudar é outra… [risos]
Ná – Estudar cachorro… [risos]
Tacioli – Tem uma ciência.
Dafne – E o estudo.
Tacioli – É, o estudo, o Rumo também tinha um estudo. Isso é uma constante na sua vida?
Ná – É, acho que sim. Tudo que gosto e que me interesso, gosto de ir a fundo. Mas do meu jeito. Não sou uma pessoa acadêmica como o Luiz [Tatit] que tem essa facilidade de teorizar. Não sou teórica, sou completamente o oposto. Tenho facilidade de pegar a teoria e trazer pra prática, pro corpo, entende? Essa é a minha facilidade, de transformar isso em canto, em expressão. O que gosto é isso. Porque, engraçado… tive uma trajetória de estudos na minha vida… Quando era criança, sempre gostei dessa coisa de brincar, de criar. Detestava a escola. O meu barato era ficar imaginando do que ia brincar quando chegasse em casa. Então ficava ali delirando. E quando chegava em casa largava meu material e ia brincar daquilo que já tinha começado em pensamento lá na escola. Meus irmãos eram estudiosos, passavam de ano com as melhores notas e eu sempre raspando. Nunca repeti de ano, mas sempre passava no susto. E não gostava, não me interessava pelas matérias da escola. As únicas matérias que me interessavam era teatro e expressão corporal. Música também. Tinha a maior facilidade, quando tinha que cantar, era a mais afinada. Gostava dessas matérias, educação física, essas coisas. Ah, ia bem em português e inglês. Mas matemática, exatas, essas coisas, nossa, não sei como passava de ano! Então, quando entrei na faculdade, que era de Artes Plásticas… Gente, foi a primeira vez, já com 18 anos, que senti prazer em ir pra escola. Aí tudo que queria na vida era ir pra escola e fazer os trabalhos, porque eram práticos. Gosto de coisas práticas! Não sou uma pessoa que fica ali nos livros, sabe? Claro, gosto de ler, adoro ler, tudo, mas não sou uma devoradora de livros. Mas na faculdade, juro, acho que era a maior CDF da turma. Os professores mandavam fazer uma versão do trabalho e eu fazia três versões da mesma composição. Era assim com tudo que gerava interesse. Com a música também. Ia fundo. Quando entrei no Rumo fui estudar canto lírico. E a minha professora, a Cláudia Mocchi, tinha muitos alunos, mas ela dizia que eu era a mais estudiosa. Nunca deixei de preparar nada à exaustão. Então, gosto dessas coisas práticas. Agora, por exemplo, quando comecei morar aqui no mato me afeiçoei às árvores. E, como expliquei antes, tirei os eucaliptos… Queria fazer um reflorestamento, mas não entendia de árvores, não sabia que árvore era o que, então aí sim fui estudar. Então é assim, mais na coisa prática mesmo.

Tags
Ná Ozzetti
de 28