gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 1/28

O que mais penso é se os bichos estão felizes

Ricardo Tacioli – Aquela entrevista que fizemos aqui, Ná, foi em 2000, 2001… [ n.e. Entrevista em vídeo conduzida por Max Eluard, Ricardo Tacioli e Daniel Almeida meses antes do surgimento do Gafieiras ]
Ná Ozzetti – Foi 2001, depois fiquei lembrando. O festival [da Globo] foi em 2000. E eu comprei aqui no fim de 2000. Aí me mudei; [cachorro] o Tupi nasceu em 22 de janeiro de 2001. Ele era…
Tacioli – Faz sete anos.
Ná – Acho que ele tinha um mês, um mês e meio, era um totózinho.
Tacioli – Agora é um patriarca. [risos]
Ná – Manda até na gente! [risos] Esse sofá é ruim de sentar, né não?
Tacioli – Ele estimula a intimidade. [risos]
Dafne Sampaio – Por isso coloquei a almofada entre nós. [risos]
Tacioli – Gato aqui não tem vez, né?
Ná – Tem uns lá embaixo, mas eles não ficam aqui. Bicho gosta de ser bicho.
Max Eluard – Ainda mais gato. Acho que gato é um dos bichos mais bichos que tem, porque ele não tem muita relação com você.
Neco – Ah, ele são felizes, vai… [risos]
Dafne – É o que importa.
Ná – Olha, o bicho é feliz quando ele pode suprir as necessidades da espécie dele.
Tacioli – Nem que ande somente nas árvores como o gato…
Ná – Mas o felino é assim, sobe em árvore…
Neco – Cachorro quer dono e o gato quer casa, né?
Ná – Mas eles tem a casa deles, eles se viram.
Tacioli – Mas já percebi que é um assunto que vocês debatem, se os gatos estão felizes…
Neco – Puta bicho, a gente é… A gente não tem filho, então…
Ná – O que mais penso é se os bichos estão felizes.
Daniel Almeida – A atenção vai pros bichinhos mesmo.
Ná – O engraçado é que andei lendo uns livros de cachorro. E aí comecei a entender que os cachorros que são domesticados, na verdade, começam a apresentar muito problema de comportamento, carência, não-sei-o-quê…
Tacioli – Isso por causa do ser humano.
Ná – Porque a gente humaniza demais a vida deles e eles ficam confusos. Eles precisam de espaço… Comida, claro, mas também espaço e, no caso do cachorro, de um chefe pra matilha. Então eles entendem que todo mundo que vive nessa casa é uma matilha. O líder da matilha é o Neco, né? Eu em segundo lugar. [ri] Então a gente tem que ter uma relação muito clara. Se a gente não quer ser dominado por um cão, a gente tem que se colocar como chefe da matilha… Isso é a glória pra eles, eles terem um chefe de matilha. Eles funcionam assim. Isso é o natural. Mas você não precisa maltratar o bicho pra mostrar que manda. Você tem que ser…
Almeida – Claro.
Ná – No livro que li diz que o animal em geral entende que linguagem é energia, e no caso do cão tem que ser uma energia calma e assertiva. Porque o cara que escreveu, observando essas matilhas de lobo, fala que sempre o líder da matilha é o mais calmo e assertivo. Isso é isso e isso é isso. E a gente tem que ser assim com os bichos. De resto precisa de espaço… Quanto maior o bicho, mais espaço precisa.

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