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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

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Ná Ozzetti

parte 17/28

Foi um sucesso, o Rio de Janeiro entendeu o Rumo

Almeida – Você pontuaria alguns momentos do Rumo que foram plenos?
Ná – Olha, acho que todo o tempo que o Rumo existiu foi bacana, sempre foi pleno. Acho que teve um momento muito especial que foi o Rio de Janeiro. A gente, em 1983, foi fazer uma temporada lá de duas semanas. E era de quarta a domingo, então era temporada grande, na Sala Funarte. E a gente começou com meia dúzia [de pessoas] de público, no dia seguinte triplicou… Sei que no fim da primeira semana os ingressos já estavam esgotados. Foi um sucesso, o Rio de Janeiro entendeu o Rumo. A gente fez mais sucesso no Rio, na época do Rumo, que em São Paulo.
Dafne – Que louco!
Ná – E a gente fazia sucesso em São Paulo, mas no Rio foi uma loucura. Aí na segunda semana já estava assim, tudo esgotado. Claro que a Sala Funarte era desse tamanhinho, mas tudo bem, pra gente que achava que não ia dar em nada do Rio. Daí a gente começou a fazer shows no Circo Voador. Da Funarte a gente já foi pro Circo Voador, com duas mil pessoas vendo o Rumo. A gente nunca teve duas mil pessoas em São Paulo.
Tacioli – E eram shows exclusivos…
Ná – Eram só Rumo.
Max – Em nenhum momento vocês pensaram em ir pra lá?
Ná – Puta, o pessoal era muito paulistano. [risos]
Almeida – Era muito longe da USP.
Ná – Eu bem que tentei, mas não deu certo. Nessa época descobri [a Lapa], porque o Circo Voador ficava na Lapa. Eu conhecia o Rio porque tinha uma tia que morava lá. E ela sempre explorou muito a cidade. Ela era do interior de São Paulo, depois mudou pro Rio e explorou muito a cidade. Ela conhecia o Rio de Janeiro como a palma da mão. E quando fui pra lá, isso com uns 12, 13 anos, ela me levava pra conhecer todos esses lugares: Quinta da Boa Vista, Ilha de Paquetá, toda a parte histórica do centro do Rio. Ela morava no Leblon, então também frequentava a Zona Sul e ia a pé pra tudo quanto é lugar. Ficava solta na cidade e achava maravilhoso. Mas somente quando fui com o Rumo conheci a Lapa. Fiquei apaixonada, comecei a conhecer os lugares onde a música brasileira, o samba brasileiro tinha começado, a história da música brasileira tinha começado. Fiquei fascinada. “Nossa, e o Rio ainda tem isso!” [risos]
Tacioli – Isso foi em 1983?
Ná – De 1983 a 1985.
Tacioli – Tem a ver com o nascimento do pop rock. Como era a convivência com esses grupos de lá, já que vocês iam no Circo Voador, faziam temporada na Funarte? Havia contato?
Ná – Olha, foi muito legal, lembro que gostava muito da Marina. Cheguei a ir no show da Marina no Circo do Planetário, lá no Rio. O Barão Vermelho estava surgindo nessa época… Gostava também da Blitz.

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