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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 16/28

O Itamar era um general

Tacioli – Mas aquela postura rock’n’roll que você falou da Rita Lee, que lhe causava admiração, você exercitava isso de alguma forma no Rumo? Me parece que o Rumo era muito comportado: tinham os ensaios, todo mundo estudava…
Daniel – Muito acadêmico…
Ná – É.
Tacioli – E ao mesmo tempo era uma época…, basta ver os vídeos… Muito bicho grilo, o Paulo cabeludo, o Hélio também. Existiam momentos bicho grilo no Rumo?
Ná – Olha, isso era uma coisa da moda da época, uma coisa de geração mesmo.
Tacioli – É que me parece tudo muito matemático…
Ná – A gente era assim. Tinha essa organização dentro do grupo. Mas, por outro lado, gostava do Itamar [Assumpção], que era um som mais negro. Depois, quando fui trabalhar com o Itamar, vi que ele era muito rigoroso também. Tinha uma organização, os ensaios eram comportadíssimos. Eu imaginava que devia ser uma zona porque as apresentações eram muito despojadas. Mas o Itamar era um general. Lembro que o primeiro ensaio com o Itamar cheguei meio atrasada achando que… Meu, já estava todo mundo ensaiando, sabe? Aí comecei a ver que as pessoas eram muito pontuais. Então se parecia muito com o Rumo nesse sentido. Mas é que o Rumo trazia essa imagem de comportado, de bons moços, alunos da USP, sei lá. [risos] Tem essa coisa do Luiz [Tatit] que é mais professoral e na época ele já era, né? Nem sei se era, mas já tinha esse veio acadêmico. Tinha isso. Agora a coisa do rock\’n\’roll… Tem uma fase na vida da gente que as coisas se transformam muito rápido. Acho que até uma certa idade, desde a infância até os 25 anos, acho que a cada ano há uma transformação muito grande na vida da gente. Na minha infância, cada ano parecia que estava vivendo num planeta diferente de tanto que as coisas se transformavam, na minha vida mesmo. E os meus conceitos também. Vivi esse momento rock que foi pré-Clube da Esquina. Tinha lá meus 16 ou 17, e com 18 já estava em outra, gostava de jazz. Claro que admirava a Rita Lee também. E foi bem na época que ela estourou com “Mania de você” e aqueles especiais da Globo. Mas nessa época já não ia mais nos shows dela porque já era tudo em estádio e não gostava, a acústica era horrível. Gostava de ver show em teatro. Ia no Teatro Bandeirantes, no Aquarius, esses teatros. Com 18, quando entrei na faculdade, já era o bicho grilo do Clube da Esquina, dos Novos Baianos. Ia mesmo nesses shows.
Tacioli – É que Novos baianos e Rumo, aparentemente [não combinavam]…
Ná – Pois é, gostava disso. Era assim quando entrei no Rumo, mas aí era um outro tipo de comportamento com a música.

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