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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

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Ná Ozzetti

parte 15/28

O Rumo fazia música por diletantismo

Tacioli – Como era rotina do grupo?
Ná – Nossa, super organizado, super… A gente tinha ensaios semanalmente, umas três vezes por semana. Primeiro, na casa do Hélio. Eram sempre à noite porque a essa altura todo mundo já trabalhava. O Rumo fazia música por diletantismo. Todo mundo tinha outro emprego pra poder fazer as músicas do Rumo. Então, quando a gente lançou o primeiro disco, acho que foi em 1981, já tinha o Lira Paulistana, tanto que a gente lançou [o disco] lá. A gente alugou na Praça Benedito Calixto, do lado do escritório do Lira Paulistana, uma sobreloja, onde foi por muitos anos o estúdio do Rumo. E era um barato aquela praça Benedito Calixto. Do outro lado da praça ficava a [produtora] Olhar Eletrônico que tava começando nessa época.
Max – Do Fernando Meirelles.
Ná – É, era Marcelo Tas, Marcelo Machado, Fernando Meirelles, Tonico Melo… Tonico Melo? Bom, o Tonico. E os primeiros trabalhos deles foram os clipes do Rumo, que estão no DVD do Rumo. Você já viram o DVD? [ n.e. Rumo – Show 2004, lançado em 2005 pela Cultura Marcas ]
Todos – Já.
Ná – Então os primeiros clipes deles foram com as músicas do Rumo. [ n.e. “Delírio, meu!”, “Ladeira da Memória” e “Bem alto”, os dois primeiros dirigidos por Marcelo Machado em 1983 e o terceiro por Fernando Meirelles em 1988 ] Era uma geração que estava começando ali, naquele espaço.
Tacioli – Eu falei da rotina, você falou dos ensaios.
Ná – Ah, desculpa, já entrei noutra. Então a gente ensaiava à noite.
Tacioli – Mas além dos ensaios, o que o grupo fazia? Qual era o vínculo que vocês tinham extra trabalho? O que se esperava…?
Ná – Quando o Rumo se organizou mais como grupo, se profissionalizou mais também. Após os discos, a gente começou a fazer muitos shows. Daí o próprio grupo dividia o trabalho. Então, por exemplo, o Paulo [Tatit] e o Akira [Ueno] pegavam um grupo de músicas pra fazer arranjo, o Hélio [Ziskind] pegava outro. Eles ficavam mais na base, depois levavam pro resto do grupo e a gente fechava os arranjos e as interpretações. Antigamente todos compunham, depois a composição ficou mais com Luiz [Tatit], Hélio [Ziskind], Zecarlos [Ribeiro] e Pedro [Mourão], que ficaram como os compositores oficiais. Fora isso a gente se encontrava nos aniversários. Alguns que se davam mais, então saiam mais juntos. Sempre fui mais amiga do Paulo [Tatit] porque era muito amiga da Edith [Derdyk]. Hoje em dia sou muito ligada, com frequência de me encontrar, com o Luiz [Tatit] e o Gal [Oppido]. É engraçado como as coisas vão mudando.

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