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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 11/28

Eu era uma esponja captadora

Max – Agora, apreciação de gênero e de estilo, você não tinha muito preconceito também, rock, Bethânia… Dafne – Junto com essa pergunta. Pra você, as coisas que você gostava, elas iam se acumulando ou uma descoberta negava a outra?
Ná – Acho que iam se acumulando. Porque a paixão é pela música, pela harmonia desse som. Então, tudo que caia harmoniosamente pra mim, ou mesmo como força de manifesto musical, como linguagem mesmo… A linguagem do rock, o aparecimento da Tropicália, o Chico Buarque com aqueles sambas, a bossa, são coisas muito fortes. Eu era uma esponja captadora. Sempre fiquei entregue a isso que aconteceu. Por exemplo:, a fusão do jazz com o rock. Sempre gostei de jazz também… A fusão do jazz com o rock e a manifestação muito brasileira que foi o Clube da Esquina. Aquilo veio com uma força, e é uma linguagem que jamais se superou e ninguém vai conseguir chegar onde eles chegaram. Quero dizer, se surgir uma nova onda tenho certeza que vai me pegar. [ri] Qualquer coisa que tenha essa força.
Max – Qual foi última coisa que você ouviu que tinha algo perto dessa força na música brasileira?
Ná – Olha, lembro quando o Chico Science apareceu. Foi um impacto pra mim. Nunca tinha visto nada parecido. Achei aquilo tão maravilhoso!
Tacioli – Mas o que era demais ali?
Ná – Era o maracatu. Mas era um maracatu eletrificado e com uma linguagem muito pop e, ao mesmo tempo, de uma forma muito orgânica e com uma força… Adorava as letras.
Tacioli – O discurso do artista é importante em relação à sua música e onde ela está inserida?
Ná – Ah, sim. Sabe o que foi um impacto pra mim? O Arrigo com a banda Sabor de Veneno e Clara Crocodilo. [ n.e. Disco lançado em 1980 ] Aquilo lá pra mim foi… nossa, foi um golpe maravilhoso. Não perdia um show do Arrigo. Delirava nos shows dele. Já estava começando a ser profissional.

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