gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

NaOzzetti-940

Ná Ozzetti

parte 9/28

O Dante era o campeão dos festivais

Max – Você, a Marta [Ozzetti, flautista] e o Dante [Ozzetti, violonista, compositor e arranjador] começaram a se interessar por música juntos? Como foi?
Ná – Nossa família sempre gostou muito de música. A gente ouvia muita música em casa. Então já tinha essa vontade e estudamos numa escola experimental. Era estadual e experimental. E havia uma professora de música excelente que era a Dona Sofia. Além do mais, música, e todas as artes em geral, tinham o mesmo peso que as matérias convencionais. Educação Física também.
Tacioli – Qual era o nome da escola?
Ná – Escola Experimental da Lapa. Como é que chamava? Edmundo Carvalho. Fica ali numa travessa da Rua Clélia, perto do SESC Pompeia. A Marta começou a estudar flauta doce na escola com essa professora e o Dante começou a compor. Ela também estimulava a composição. E aí o Dante começou a compor ali, no primário mesmo. Era época dos festivais e a escola fazia [festivais] também… E o Dante concorria. Aí ele começou a levar os colegas pra ensaiar em casa. Achava o máximo e sempre participava dos ensaios, como ouvinte. Eu era menor, mas não perdia um ensaio. [ri] E depois ia assistir os festivais. Ficava emocionadíssima com aquilo.
Max – Você foi assistir ao vivo?
Ná – Os festivais? Não perdia um.
Tacioli – Os festivais da escola.
Ná – Da escola! E, por coincidência, os festivais da Record… Acho que alguns foram lá no Tuca. [ n.e. Teatro da PUC-SP ] Olha, foi tão forte isso pra escola que esses festivais aconteciam no Tuca, que ficava lotado de crianças e jovens. Era um barato! E a escola tinha o mesmo curso a noite. Então a noite era pra quem era já adulto, trabalhava de dia e frequentava a escola a noite. Então concorriam crianças de 9 a 14 anos de idade junto com adultos no mesmo festival! Isso que era legal! Era muito bacana. O Dante era o campeão dos festivais!
Max – Mas vocês três se moviam juntos, iam se ajudando, ou era cada um na sua?
Ná – Cada um tinha a sua trajetória.
Tacioli – O Marco [Ozzetti] também?
Ná – O Marco era o mais velho, então não pegou essa época dos festivais. Ele já estava indo pro colegial, mas daí começou a tocar guitarra em uma banda de rock. Foi uma outra trajetória. Aí começou a ensaiar, porque nós morávamos nessa tal casa que era grande, era uma casa térrea, e ele fez um estúdio porque havia um quartinho no fundo. E começou a levar a banda dele pra ensaiar lá. O Dante também ensaiava com o grupo dele. E eu ficava indo de um ensaio pro outro. [ri] O meu desejo era uma hora integrar uma dessas bandas. A essa altura, a Marta começou a estudar flauta transversal e eu fui estudar música e piano também. Tentei estudar canto, mas era muito nova na época e a professora achava que tinha que esperar um pouquinho mais. Então, o que eu fazia? Ficava escutando disco das grandes cantoras. Minha forma de estudar era imitar e tentar cantar igual a elas. Pensava assim: “Bem, se conseguir cantar igual a essa cantora, já tô progredindo!”. [risos]

Tags
Ná Ozzetti
de 28