gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

MonicaSalmaso-940

Mônica Salmaso

parte 7/25

A idéia de gravar um disco de afro-sambas foi do Gudin

Seabra – Então, qual foi sua primeira música gravada?
Mônica – A primeira, primeira mesmo, foi “Cidadela”, uma música no disco do Mário Gil que ele fez enquanto eu cantava no Café Paris. Foi um disco independente [n.e. Luz do cais]. Depois, acho que a segunda foi no Canções de ninar [n.e. Álbum vencedor do Prêmio Sharp 94, na categoria Infantil], que também corria paralelo a isso. Foi um amigo que indicou… “Vá lá, … blá, blá, blá”. Eu conhecia a Sandra Peres, o Paulo Tatit. “Quer cantar?” Cantei. Daí o primeiro disco que inicia o meu processo de carreira foi o Notícias no Brasil, nessa ordem. Inclusive porque foi dali que apareceu a possibilidade de fazer o Afro-sambas. Foi uma idéia que o Gudin teve… Ele me ofereceu para gravar um disco-solo que ele levaria pra Velas. No começo, falei que não, que estava cedo, que eu não tinha um trabalho, que eu iria inventar um correndo somente porque apareceu. “Eu tenho medo de fazer tudo assim, não quero!” “Não, mas vamos pensar…” “É, tá, vamos pensar, vamos ver…” Aí um dia ele sugeriu. “Você conhece os afro-sambas?” Eu conhecia os mais conhecidos, né? Mas eu não sabia que eles eram uma fase da produção do Baden com o Vinicius, com uma temática fechada. Então, ouvi o primeiro disco que eles – o Baden, o Vinicius e o Quarteto em Cy – fizeram, que é o Afro-sambas, que tem oito faixas. Aí eu chapei, né?! “Pô, isso é muito legal!” Isso foi gravado em 1966, 67, e nunca ninguém havia gravado a íntegra de novo. Ficou. O “Canto de Ossanha” a Elis fez e ficou famoso com ela. O “Berimbau”, “Consolação’, mas havia lá outros que são jóias e que estavam… Ficaram lá na gaveta da editora e nunca mais ninguém pegou. E aquilo ali “euzinha” podia fazer, então, pô, falei, “Já! Eu quero imediatamente isso. Rápido! Antes que alguém faça isso.” [ri] Fiquei super a fim. Aí o Gudin sugeriu que a gente convidasse o Belinatti, porque ele tem o trabalho do Garoto, e o Gudin adora o jeito que o Belinatti toca. Daí eu conheci o Belinatti nessas. “Ó, essa aqui é a cantora, esse aqui é o trabalho. Quer fazer?” E ele falou, “Ah! Topei.” E a gente começou a ensaiar. Eu, de novo, ia apavorada para o ensaio, porque “Meu Deus, o Belinatti e eu!” Sofria! Mas ele foi sempre supercampeão. Super! E aí a gente preparou, levou pra Velas e ela não queria mais. Não estava mais a fim. Só que aí era o Belinatti, né?! Acho que isso também faz parte daquela conversa da postura em relação a música. A minha convivência de trabalho sempre foi um tipo de pessoas e músicos que tem essa característica de “Ah, é?! Não tem quem faça? Faço eu!”, “Ah, é? Não vai fazer direito?! Faço eu!” Então está bom. Eu vou, eu me arrumo, eu crio e eu me viro, e com o maior capricho. O Belinatti é o professor maior nesse assunto. Ele é o cara que cria, que faz tudo com dez; ele não deixa uma coisinha que poderia fazer melhor; ele não deixa! Ele tem uma carreira autoral super legal que ele foi criando lentamente, mas que é super consistente fora do Brasil. E ele falou, “A gente vai gravar esse disco! Você quer fazer fora da Velas?” Falei, “Hã, hã.” “Então, eu levo isso pra gravadora americana e vamos ver como é que faz. Vou tentar.” A gente arrumou um estúdio que também estava a fim. E aí o estúdio resolveu que ia investir também porque podia ser a sede da gravadora aqui. Gravamos! Aí começou essa história… Do Afro-sambas eu conheci o Nelson Ayres; eu conheci o Rodolfo Stroeter, que é o dono da Pau Brasil, aí veio o Trampolim e blá, blá, blá. [risos]

Tags
Mônica Salmaso
de 25