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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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Mônica Salmaso

parte 24/25

Teoricamente um disco não vive mais do que dois ou três anos

Seabra – Você gostaria de ter um sucesso que permitisse ter um secretário pra fazer a parte chata do trabalho?
Mônica – Então, estou num lugar, não é de sucesso, é de quantidade de trabalho. Talvez o sucesso dê uma visibilidade. Por exemplo, você pensa assim se estourar, “Bom, se tudo der errado, pelo menos tenho uns dois anos de trabalho garantido”. Pô, não é possível, só se você desapareceu. Não é?! O sucesso é, justamente, quando todo mundo que trabalha em volta fala, “Hehe, tesão, vamos ter trabalho por dois anos pelo menos. Se ela for esperta, ela continua fazendo sucesso.” Um pouco é esse o espírito. Mas o meu negócio é quantidade de trabalho. Quantidade de trabalho não é uma coisa que você entende quanto tempo vai durar, você espera que dure, mas você não sabe o que vai acontecer. Nsse ano passado (2002), pela quantidade de trabalho que eu tive e que estou tendo, que está pedreira, justificaria eu ter uma equipe, entendeu? Justificaria. Mas não tenho a menor noção de que isso vai continuar. Tenho medo de aumentar e criar uma estrutura de empresa, de secretária ou de não-sei-o-quê, e dali seis meses cair no buraco. Porque tem dezembro, janeiro. Vou viajar em janeiro, mas, em geral, são meses que você não sabe bem o que vai acontecer. Eu esperava o Voadeira já não estivesse mais dando gás. Teoricamente um disco não vive mais do que dois ou três anos, ser assunto. Ele fica e as pessoas podem ir comprando nas lojas, mas ele já não é mais um assunto que justifique fazer show. Mas, em 2002 apareceram convites para fazer shows em lugares que eu nunca tinha ido, entendeu? Isso é lugar delicado. Eu não sei. Às vezes acho que estou fazendo uma parte muito sacal, que eu precisaria daquela hora pra fazer outra coisa. E, às vezes, não é nem isso. Viagem, por exemplo, dana tudo, né? Tudo que você tem é o e-mail pra tentar pilotar. Então, é falho. Não dou conta, mas ao mesmo tempo eu não sei se isso é a coisa em que posso acreditar que vai continuar assim a ponto de aumentar a estrutura. É esquisito. Não sei o que vai acontecer.
Seabra – Mas você gostaria que chegasse nesse ponto?
Mônica – Ah, gostaria. Mas gostaria se eu tivesse a certeza de que esse troço continue, senão vira um pepino. O Ponto in comum aconteceu assim. No primeiro, eu e o Homerinho, ficamos desesperados, “Como será que se faz isso? Que jeito? Puta, tem que pensar na passagem de avião, no hotel, na diária de alimentação, tem que mandar um orçamento pro SESC. O SESC tem que aprovar!”
Seabra – Vocês é quem pensam nisso? Não é o SESC?
Mônica – Não. A gente é quem pensa em tudo.
Seabra – Mas a produção executiva de quem é?
Mônica – Da gente. Na verdade, somos três, eu, o Homerinho e o Marcílio, que faz o projeto gráfico e a cenografia. Ele é muito bom e muito amigo. Então, a gente cria junto. Mas a produção executiva fica comigo e com o Homerinho. Claro, tem partes, como a gráfica, que é o SESC quem pilota. A gente perguntou no começo: “O quê vocês querem que a gente faça e o que vocês querem fazer?” Por exemplo, passagem de avião é complicada para o SESC. Então, é a gente quem faz. O estúdio de ensaio é a gente quem arruma. Mesmo assim, o esquema disso tem que ser mandado. Eu faço essa parte burocrática. A Internet ajudou muito. Ela e o scanner são amigões do peito.

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