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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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Mônica Salmaso

parte 22/25

Com a matéria do NY Times na mão, fizemos uma turnê nos EUA

Monteiro – Seus discos lançados lá fora já sofreram alguma mudança?
Mônica – São os mesmos.
Monteiro – São os mesmos que saíram no Brasil?
Mônica – São.
Monteiro – Você já fez show lá?
Mônica – Eu fiz e vou agora, de novo. Eu fiz. Eu tinha ido, já, fazer umas coisinhas muito locais. Há muitos festivais fora do Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos têm muito isso. São sociedades que promovem, como o Cultura Artística faz aqui, mas não é necessariamente um teatro. Também é. Mas, às vezes, é um grupo de pessoas interessado em determinada coisa, criam uma organização ali e pagam uma mensalidade, viram sócios daquilo, e esse dinheiro de caixa leva pessoas pra lá. Isso tem de várias coisas. Com o Bellinati, por causa do Afro-sambas, a gente fez algumas dessas coisas. Fizemos na Venezuela, nos Estados Unidos. A gente deu essas passeadas. Fui a uma sociedade dessas na Itália, mas aí era pra fazer outro show de trio. Depois fiz de novo o Afro-sambas na Áustria, na Suíça, e acho que acabou. Mas aí, há uns dois anos, conheci um manager nos Estados Unidos, um cara que o que ele faz é vender shows. Ele não é um empresário, é um agente. Ele trabalha com vários artistas e vende shows. Isso é uma coisa que aqui não tem muito e faz falta, porque ele cria relações artísticas com vários lugares. Então ele já tem um teatro não sei onde que já levou X artista. Quanto melhor a coisa que ele levar, mais confiança ele cria e daí, na próxima vez, a pessoa nem quer saber se ela conhece ou não, mas ela topa. São relações de trabalho. E por causa dele fui em janeiro do ano passado (2002) pra Nova York fazer um show dentro de um lugar que se chama World Music Institute. É uma organização que leva pessoas de fora dos EUA pra lá pra se apresentar. Mas eles dão um gás na divulgação. Então quando fui fazer esse show, foi lá assistir um jornalista do New York Times, um cara meio importante, que é o Jon Pareles. Ele foi ver. E ele curtiu. No dia seguinte, ou dois dias depois, tinha uma matéria. Ele botou uma foto, botou uma matéria elogiando o show. O meu americano lá, o Bill, ficou pulando, feliz da vida, “Muito mais fácil vender o show, muito mais fácil vender o show agora, muito mais fácil!”, porque o cara tem uma assinatura e tal. Isso foi em janeiro. E realmente, gerou uma história pra eu fazer o Hollywood Bowl em setembro e outubro, que é um troço gigante na Califórnia, um teatro aberto.
Sampaio  – O Hollywood Bowl? Tem o filme…
Mônica – O Hollywood Bowl! O Monte Python e o Hollywood Bowl?
Sampaio  – Exatamente. [n.e. Referência ao filme Ao vivo no Hollywood Bowl]
Mônica – O Hollywood Bowl. É um troço!
Sampaio – O lugar é grande.
Mônica – É! E tem uma noite brasileira, lá. E aí o cara que faz a produção, que conhece o Bill, foi ver um mercado cultural na Bahia em que fui me apresentar também. E aí ele topou e me convidou pra abrir essa noite brasileira. Havia a Leni Andrade, depois o Ivan Lins, o Dori (Caymmi), a Leila Pinheiro e não sei mais quem… E eu ia abrir, porque eles têm esse troço de shows direto lá; quem não é conhecido, abre um show de quem é, o que é super legal. Então, em volta disso, com aquele papelzinho do New York Times na mão, o Bill conseguiu vender uma turnê. E aí foi pesado. A gente fez as duas costas. Foi uma porrada. Viagem, pula, acorda, é trash, é uma delícia, mas você fica doidão.
Tacioli – E qual é o público? Brasileiros?
Mônica – Puta, tem de tudo. A primeira vez em que fui fazer o Afro-sambas, fomos para Connecut. Cheguei lá, era a primeira vez que eu cantava pra um público que não falava português. E eu cantando e pensando, “Puxa, como será que essas pessoas estão recebendo essa música?” Quando acabou, eles vinham falar com a gente, “Nossa quanto tempo! Adoro Vinicius!” Eu olhei e puuuuta!!! [risos] Aí falei, “Então é brasileiro!” Aí fomos pra Minessota. Não tinha um! Um! Tinha um cara que era apaixonado pelo Chico Buarque e aprendeu português. Só! Aí já estava relax, falando boa noite! Quando acabou o show, ninguém falava português! E nessa turnê, de setembro e outubro, foi assim… A gente fez o show dentro de uma programação de um museu, super cabeça, em Cleveland; um pub super normal em Nova York; o Hollywood Bowl, na Califórnia, que era noite brasileira – imagino que tivesse muito mais brasileiro do qualquer outra coisa, mas tinha quinze mil pessoas. Daí um lugar muito pequenininho, fechadinho, em Seattle; gente pequena, gente grande, músico, não músico, brasileiro, não brasileiro… Na verdade, ele vai vendendo, né? E você vai fazendo. E do show no Hollywood Bowl saiu uma crítica no Los Angeles Times. Aí, pronto! O Bill estava muito feliz. É bom.

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