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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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Mônica Salmaso

parte 17/25

Estou cheia de negócio de energia criativa acumulada

Tacioli – Mas você estava falando do disco novo.
Mônica – Esqueci! Então, eu não sei, eu passei… O problema é esse momento em que estou. Ele se resolve, não é nenhum problema horrível, mas é um problema, é engraçado. É que eu fiquei esses dois anos (2002 e 2003) em mundos, em vários mundos, muito aberto, né? “Puta, o Adoniran é o máximo! Puta, o Dorival Caymmi é demais. Ai, meu Deus, a Portela, o samba! Sensacional! O choro!” Em cada um eu embarquei e saí completamente dessa idéia de centralizar e pensar. E agora eu tenho que me puxar de volta pra ver que cara que ele tem. Eu sinto algumas coisas. No meio desse caminho eu criei alguns trabalhos, meus mesmo. Eu fiquei fazendo um duo com o Benjamim. A gente viajou com esse duo de voz e piano. Eu fiz um duo novo com o André Mehmari que também é outro trabalho. Fiz um duo com Toninho Ferragutti, voz e acordeão, que é outro trabalho. Então, abriu tudo e eu agora preciso saber que vontade que eu tenho… Não é nem de escolher, porque eu tenho vontade de fazer tudo, mas vou deixando aberto e olhando até o momento em que eu entender qual é a opção que acho legal de fazer agora, entendeu? Fazer e ter uma gravadora no Rio é divertido. Estou com vontade de… Alguma coisa já me diz que dá vontade de que esse disco tenha uma participação de músicos do Rio também, entendeu? Mas é muito cedo. Eu realmente não sei pra onde vai. Eu acho que, com certeza, alguma coisa vai sair dessa bagunça que eu estou tendo, mas vai indo…
Almeida – Mônica, você está falando de bagunça e não saber, mas você parece calma.
Mônica – É porque não é ruim, entendeu? Há duas bagunças: a bagunça ruim é aquela assim em que eu quero tudo e não tenho nada. Eu quero fazer tanta coisa! Estou cheia de negócio de energia criativa acumulada, eu quero fazer e não sei pra onde. Essa é uma puta bagunça da ansiedade. Essa é horrível! A que eu estou é o oposto dessa. Estou cheia de coisa acontecendo. É bagunça na hora de optar e ela é delicada também. Mas eu vou reclamar que eu fiquei uma semana junto com a Tia Doca aprendendo 60 sambas? Que depois eu fiquei a outra semana com o pessoal da Acari ouvindo aquela coleção Os princípios do choro, que é uma coisa escandalosa? Não dá, entendeu? Sei lá. Não sei.

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