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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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Mônica Salmaso

parte 13/25

O Unplugged da Björk foi o único que me chapou

Mônica – Vocês não querem tomar água? Vamos? Ê, água! Pausa, então. [risos]

[Enquanto serve água aos entrevistadores]

[risos]

Mônica – Vocês perderam a fita da Maria Alcina?
Tacioli – Não, não perdemos. Com quem ficou a fita da Maria Alcina?
Mônica – Porra, Maria Alcina?! Eu quero essa fita. Genial!
Tacioli – Não foi ao ar ainda.
Mônica – E quando que vai?
Tacioli – Isso também só Deus sabe.
Mônica – Figura, que figura!
Tacioli – Ela deu a entrevista “emplumada”.
Mônica – “Montada” no caso, né? Genial!
Tacioli – Pescoço duro por três horas.
Mônica – Meu, ela é louca, maravilhosa! Essa mulher é sensacional.
Tacioli – Vamos lá. Onde a gente havia parado?
Mônica – Na Cássia Eller.
Tacioli – No show que você viu da Cássia Eller.
Mônica – Já está gravando? Faz tempo que está gravando?! Ainda bem que eu só falei coisa boa da Maria Alcina… [risos]
Tacioli – Há alguma coisa ruim pra falar?
Mônica – Não, não tem, sei lá, podia não ter sido a Maria Alcina. Você poderia ter falado de alguém que porventura…
Tacioli – Quem, por exemplo?
Mônica – Não sei. Então… Cássia Eller. Eu vi um show da Cássia Eller do primeiro disco, aquele bom pra burro, inclusive, que ela fez no vão do MASP. Era aquele projeto do meio-dia, que era um tesão, era bem legal. E era um show de música, quase instrumental, havia um lance do som mesmo, entendeu, uma puta de uma banda boa, os arranjos eram campeões, ela cantava pra caramba. Estava tudo certo ali. Fodão! Não é, com certeza, a relação de som que eu vi quando ela fez o unplugged, entendeu? Neste ela virou completamente famosa da moçada. Tudo bem, tô falando de uma coisa que aconteceu dez anos entre uma coisa e outra, mas é assim… E nem estou julgando a Cássia Eller, que eu adoro o som. Estou dizendo somente que são mesmo relações diferentes.
Tacioli – Você não gosta do Unplugged?
Mônica – Da Cássia Eller?
Tacioli – É.
Mônica – Eu acho ele muito inferior ao som que estava no disco. Acho ele calminho. Já vi alguns unplugged. O único unplugged que eu vi e que eu fiquei chapada é o da Björk, em que ela falou, “É unplugged? Então tá bom. Quero os sinos do mosteiro de não-sei-onde, com o tablista de não-sei-o-que-lá, com um cravo que vamos fazer…” Ela faz um groove de uma música completamente pop pesada, voz e cravo. Unplugged? Unplugged, entendeu?! Aí vira uma viagem. Eu tenho, até. Eu comprei pra ouvir. Eu acho genial. Os [acústicos] brasileiros não vi todos. Parece que o do Lulu Santos é muito legal, mas eu não vi. Os que eu vi sinto que é um show, que é unplugged mais ou menos, que não tem um… E virou o grande lance pra vender disco agora, é a febre, gruda na moçada. “Oh, unplugged!” Acho que eles são poucos criativos. O som daquele show que eu vi da Cássia Eller era muito criativo, mas o show dela – ela e os dois meninos, só violão e voz –, era um puta show bonito. O disco é lindo! O que eu sinto é assim: tem uma pessoa que tem uma coisa pra dar e tem um tipo de relação que facilita aquela coisa. É isso assim o que eu sinto.
Tacioli – E qual foi a grande sacada da Cássia?
Mônica – O que eu gosto dela? Do som que ela fazia?
Seabra – Não, você ia falar alguma, e daí se lembrou da Cássia.
Mônica – Era isso, a gente estava falando da história do “Estrela da manhã” e dessas relações de expressão que você faz que, pela história que eu tive, e do que eu vejo e penso, parece-me que a realidade é mais ou menos essa. A pessoa demora pra conhecer o seu trabalho, mas quando ela conhece, de algum jeito que ela conheceu, aquilo lá não foi martelado ao ponto dela não ter outra saída a não ser conhecer. Ela ou alguém foi indicar pessoalmente, e deu de presente o disco que gosta, ou ela sem querer estava passando na frente de um treco e viu e gostou e teve vontade, de alguma maneira são mais individuais as formas. Tem mais histórias diferentes pra contar do que assisto a novela e vejo todo dia, e ligo o rádio e toca toda hora. Então a relação com a música é diferente, ela é mais pessoal. Esse cara, se ele gosta, ele tende a seguir o trabalho. Aquela relação histérica que eu vi lá do “Estrela da manhã” não tende a seguir nada, podia ser qualquer coisa. É aquilo que se eu continuasse na TV, continuaria sendo seguida por aquele público, se eu parasse, quem entrasse no lugar, seja o que for, pegaria essa relação e continuaria com ela, que na verdade não é uma relação. E ela bate de frente com aquele lance todo que é… Tem gente do outro lado, é muito complicado. Ao mesmo tempo, topei fazer e toparia fazer de novo porque como é que o cara do Acre vai ouvir se eu nunca fui lá, entendeu?! Isso é uma conta que você tem que fazer. Não acho fácil pensar isso. Eu ia ficar meio chateada se eu entendesse que o meu trabalho virou esse tipo de coisa. Eu não ia gostar e, ao mesmo tempo, eu queria que as pessoas ouvissem. E eu não tenho a quantidade de anos pra viver pra chegar na quantidade de gente que um festival de quatro minutos chegou. É artificial, é gozado. É uma coisa artificial. Isso não é humano, não tem um cara que consiga cobrir pessoalmente o que a televisão é capaz de levar.

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