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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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Mônica Salmaso

parte 11/25

Fiz a campanha do Lula. Estou lá no coro gritando!

Almeida – Mônica, publicidade nunca esbarrou nessa área de segurança, como você falou, “Daqui não passa”?
Mônica – Porque eu já fiz bastante.
Almeida – Então, isso nunca…?
Mônica – Olha, sabe o que é gostoso… Primeiro porque gosto de estúdio. Eu adoro estúdio! Me bota lá no microfone com fone, eu sou feliz! Pra fazer o que for. Eu gosto do estúdio. Então, sempre achei divertido. As primeiras vezes que eu gravei, eu estava cantando lá no Vou Vivendo, no Café Paris. Eram possibilidades de trabalho e eu estava muito a fim de fazer. Não tinha nenhum nome, não tinha nada que eu tivesse… Não tinha que pensar, “Meu Deus, sou uma cantora e estou vendendo aquele sabão em pó.” Eu não era nada. Eu era um coro como qualquer outra pessoa ali. E não estava assinando artisticamente nada, né? Então eu achei divertido e eu de fato acho, na maioria das vezes, divertido gravar publicidade, mas vai ficando pesado. Conforme você vai criando uma coisa, cada vez mais você começa a pensar que de alguma forma pra um número, mesmo que seja pequeno, você está assinando aquele troço, então, fica… Comecei falando, “Ah, não quero fazer isso solo; só quero fazer coro, então, porque não quero dar esse destaque… Mesmo que seja três neguinhos. Eu não quero vender aquele negócio para aqueles três neguinhos…
Almeida – “Nossa! A Mônica está vendendo sabão em pó.”
Mônica – Exatamente. Se bem que eu fiz há pouco tempo, um do Boticário. Eu e o André Mehmari. Então é um negócio assim: é divertido e gostoso de se fazer, mas político não dá pra fazer. Eu fiz o Lula! Eu fiz a campanha do Lula. Lá no coro estou eu lá gritando! [risos] Mas não dá pra fazer outras coisas. Você vai escolhendo. Eu não tenho essa dor. Se eu pensar muito talvez eu ache muito horrível, mas eu já curti fazer. Tenho uns amigos que fazem… Eu não gravo em muitos estúdios. Esse do Boticário foi uma exceção. É um estúdio grande. Foi a primeira vez que eu fiz coisa lá, mas, em geral, eu gravo em produtoras que tem uma relação pessoal comigo; não é uma opção, é o que virou. Mas ali eu vou visitar o meu amigo e se eu falo, “Olha, eu não posso gravar porque eu tenho um ensaio”, ninguém vai ficar puto, entendeu? Não tem grandes produtoras que topam ouvir que o cara não pode gravar aquele jingle porque tem um ensaio, entendeu? O cara tem urgência para entregar! Pra mim sempre foi claro que era uma coisa divertida, legal, facílima de fazer e prazerosa até, no sentido da gravação em si. Mas era um bico. Pra mim é um bico, porque é quase uma outra profissão. Em algumas coisas é uma outra profissão.

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