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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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Mônica Salmaso

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Tem alguém do outro lado

Não será surpreendente se um jovem leitor da presente entrevista, ao término da leitura, espelhar-se na cantora paulistana e decidir-se por um caminho profissional que não o “artístico”. Poderá, sim, optar por ser professor de biologia, padeiro, jornalista, profissão qualquer que lhe ocupe o espírito. Isto porque Mônica Salmaso transmite, para além da música, a paixão pelo ofício escolhido, tal como os professores do colégio lhe transmitiram. Paixão que tem, também, o seu calvário no trabalho cacete, de escritório, feito pela própria cantora. Tormento menor – este, inclusive, prazeroso – é o de selecionar as músicas que comporão o quarto CD, pensado para 2004.

Na conversa realizada no longínquo primeiro semestre de 2003, foi recorrente o papo a respeito dos vínculos entre a cantora e seu público – que ela deseja maior, sempre, mas não a qualquer custo. Sua curtíssima passagem pela TV – como participante classificada para a final do Festival da Música Brasileira, na Rede Globo, em 2000 – rendeu-lhe reflexões, expostas adiante, a respeito das relações que se estabelecem entre o artista e o público por meio da indústria cultural de massa. Certa vez, conta, ficou “apavorada” e teve vontade de correr do palco.

Mas por acreditar que há sempre “um ser humano do outro lado”, o trabalho de Mônica Salmaso registrado em álbuns e shows tem uma marca própria, ainda que construída coletivamente, para a qual o adjetivo me falta. É certamente resultado de um esforço de expressão, detalhado, burilado, que busca a perfeição. Mas do primeiro disco para o próximo, a cantora reconhece que vem cedendo às imperfeições e, assim, uma vez mais, apura-se.

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