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Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

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Moacyr Luz

parte 6/23

"Anjo da Velha Guarda" é um samba que me surpreende diariamente

Max Eluard  Moacyr, vendo a sua obra composta e gravada percebe-se que todas suas músicas são muito populares.
Moacyr Luz  São.
Max Eluard  O que uma música popular tem que ter em signos, em qualidade de sensação? O que faz uma música ser popular?
Moacyr Luz  Olha, pra gente poder ter uma régua: você acha “Quem te viu, quem te vê” uma música popular?
Max Eluard  Acho.
Moacyr Luz  E é maravilhosa, né? Vamos ver uma outra coisa. Você acha “Travessia” uma música popular?
Max Eluard  “Travessia”? Não.
Moacyr Luz  E “Travessia” é cantada nos botequins. Vou falar uma coisa do repertório do Guinga, de quem sou amigo desde 73 por causa do Helinho, que é padrinho da filha do Guinga. A obra do Guinga é uma obra difícil e, no entanto, ele tem o Catavento e girassol que acaba ficando popular. Se você perceber, mesmo dentro daquela erudição, é uma obra popular, entende?
Max Eluard  Popular não significa vender, mas sim estar na boca do povo.
Moacyr Luz  É por aí. Você quer ver uma coisa engraçada. Eu tenho nesse discoMandingueiro a música “Anjo da Velha Guarda”. É um samba que me surpreende diariamente. E onde vou canto esse samba, e todo mundo também canta, mas nunca tocou na rádio. Nunca vi! Mas tem alguma coisa na aura do negócio que a transforma em uma música popular. Ao passo que ali tem [canta] “Tento dizer que o futuro a Deus pertence”, já é uma coisa…
Max Eluard  O Aldir é um compositor que não está na boca do povo, mesmo sendo dono de várias pérolas, mas é um compositor popular nato. Ele escreve como a gente fala.
Moacyr Luz  Rodrigueano, né?

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