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Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

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Moacyr Luz

parte 5/23

Em 1984 , o Aldir Blanc me escolheu para ser seu parceiro

Sérgio Seabra  Você tinha 30 anos quando gravou seu primeiro disco, né?
Moacyr Luz  Isso.
Seabra – Então, você levou 15 para poder se expressar musicalmente.
[Daniel Almeida e Dafne Sampaio acabam de chegar]

Daniel Almeida  Opa, tudo bem? Sou o Daniel. Prazer.
Moacyr Luz  Tudo bem? Como vai?
Seabra  Como foi esse período musical, dos 15 anos de idade à gravação de seu primeiro disco?
Moacyr Luz  Foi a Lana Bittencourt quem me gravou pela primeira vez, em 1979. É uma cantora clássica, com vozeirão agudíssimo, aquele negócio estridente. Depois, no início dos anos 80, com a onda do disco independente que se inicia com o Antonio Adolfo e com o Francisco Mário [n.e. Irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho, o violonista mineiro Francisco Mário Figueireido Souza, 1948-1988, que, ao lado de Antonio Adolfo, Danilo Caymmi e da dupla Lulu & Lucinda, lutou pela produção fonográfica independente, sendo um dos fundadores da Associação do Produtores Independentes de Discos e Fitas, e autor do livro Como fazer um disco independente], todo mundo faz muito disco independente. Nessa época, gravo com outras pessoas umas 30 músicas.
Seabra  Suas?
Moacyr Luz  Minhas. Cantores que nunca mais aconteceram, quer dizer, estão trabalhando, mas até hoje é muito difícil. Flávio Salles, Agenor de Oliveira, Sérgio Souto, do Acre, várias pessoas desse naipe. Conheci o Aldir em outubro de 1984, e aí começamos a trabalhar no que viria a ser esse disco [n.e. Moacyr Luz, 1988, álbum de canções com a capa estampando uma foto p&b do artista]. Tenho vários sambas feitos com o Aldir nesse período. Amigos que vêm acompanhando a nossa vida e que conhecem esses sambas todos. Tenho vários desses sambas. Mas a minha insegurança… O Aldir tinha recém-separado de uma parceria ilustre [n.e. Em 1983, do violonista, cantor e compositor mineiro João Bosco, com quem compôs “O bêbado e a equilibrista”, “Kid Cavaquinho” e outros sucessos], cercada de signos representativos no trabalho, e um deles era o samba. Nesse trabalho com o Aldir – a gente já conversou muito sobre isso em algumas tardes que foram feitas só para se conversar – se juntou dois desenhos meio malucos. E eu te digo uma coisa: eu, hoje, observando as oportunidades da minha vida, tento entender como um cara como o Aldir Blanc, um camarada consagrado, me escolhe, aos 42 anos de idade, para ser seu parceiro. Ele olhou e confiou, a ponto de eu ter com ele 80 músicas gravadas e umas 200 feitas no total. Tenho um baú de músicas que vocês não acreditam!
Max Eluard  Em quantos anos, Moacyr?
Seabra  Desde 1984.
Moacyr Luz  Em outubro de 1984 fizemos a primeira música. É igual ao casamento, no início o tesão é grande. [risos] Não é que o tesão tenha diminuído, mas a paixão se transforma em amor. Então, esse disco de 88 – peço perdão por falar isso para vocês – tem uma importância porque é um álbum de canções. Se vocês fizerem um estudo daquele período, aquele disco, além de preto, deveria ser uma ovelha, mesmo! Porque ele estava totalmente à margem de tudo o que estava acontecendo naquele momento. A gente vem com um disco desse, quase vendido de mão-em-mão, mas ele dá uma assinatura à parceria. Os jornalistas começaram a perceber que aquilo ali era uma obra que estava existindo, não era uma coisa por acaso, um projeto, “Vamos fazer aqui 10 músicas e realizar…”. Mas até esse disco de 88 eu já havia gravado “Retrós” [n.e. Em parceria com Jota Maranhão], com a Nana Caymmi, no disco Chora Brasileira [n.e.EMI-Odeon, 1985], “Lembrando de você”, com a Elba Ramalho, e músicas com a Leila Pinheiro, Leny Andrade. Estou falando de pessoas que possam servir de referência. Obviamente, outras coisas estavam acontecendo, mas que infelizmente não deram certo.

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