gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

MoacyrLuz-940

Moacyr Luz

parte 21/23

Conheço esse acorde!

Monteiro  Sobre esse novo disco, de novas composições…
Moacyr Luz  Aqui, ó! Eu e o Martinho. É, foda, é? Eu e Martinho, que mundo, né? [risos] [canta “Zuela de Oxum”] “Me veio à mente um som / Não identifiquei, não/ Peguei meu violão e comecei a dedilhar / Então, eu me toquei / que o som, canção tão bela / lembrava uma zuela / que alguém vivia a zuelar / parei de dedilhar / pois minhas mãos tremeram mais / difícil confessar / promessas não podem pagar / Então eu me toquei / bate cabeça oxalá / Para aquela que se foi / jurei alguém jamais amar / E tem um novo amor / que é uma filha de Obá / E aquela canção / Era zuela de Oxum / Me vale meu pai, Olorum / O que é que vou fazer / pedir, valei meus orixás…” [continua] Bacana, né? Isso aí demora muito mais, tem umas coisas no meio. É isso aí.
Almeida  Moacyr, só mais uma. Eu acho que a beleza de uma música é proporcional à curiosidade em saber como é sua gênese.
Moacyr Luz  Como essa música foi criada? Bom, eu havia estado com o Martinho algumas vezes, e o Martinho, carinhosamente, vem elogiando as coisas que eu faço. “Porra, Moacyr, escutei o disco tal, aquela música tua, caralho, não-sei-o-quê.” E um dia, o Martinho havia feito uma música com o Ivan para o disco do Ivan Lins. Não tem uma música no disco do Ivan Lins com o Martinho? E eu tinha feito uma música com o Ivan Lins que acabou até entrando nessa novela Porto dos milagres, “Instante eterno”. [toca e canta] “Eu te perdi de vista / no instante em que achei / o pouco foi tanto / e nunca mais amei…” [continua] Eu tinha feito essa música com o Ivan. Uma surpresa. Eu estava deitado dentro de casa, quando anuncia a novela Porto dos milagres e ouço um acorde assim. [toca] Eu estava bem deitado, durmo muito cedo, sabe? “Caramba, mas esse acorde é meu! Conheço esse acorde!” [risos] No dia seguinte liguei para a minha editora. “Escutei na novela, tinha um acorde que era meu!” E a minha música com o Ivan tinha entrado na novela. Olha que volta que acabei dando. Aí, fui numa noite com o Ivan encontrar com o Martinho, no bar do Martinho, lá em Vila Isabel. “Martinho, estou querendo fazer um negócio contigo.” “Porra, a hora que tu quiser!” E os amigos dizendo “Mas o Martinho demora pra fazer, para devolver!” Não tem problema. Fiz essa música. Alguém conhece o Vitória da ilusão, o disco? É um disco que tem muita coisa afro. Não vou cantar, não. [toca e canta] Então, tem essa parte do trabalho, maluco, e mostrei para o Martinho. E ele me ligou. Acho que ele foi meio envolvido pelo som, tanto que a letra acaba tendo esse [canta] “Me veio a mente um som / não identifiquei, não/ peguei meu violão e comecei a dedilhar / então, eu me toquei que o som, canção, tão bela.” Aí, foi isso.
Zé Luiz  Um pouquinho da música com o Wilson, do disco novo.
Moacyr Luz  Das Neves. Nessa eu fiz a letra.
Zé Luiz  Inverteu o processo.
Moacyr Luz  Eu vou cantar num tom baixo. Estou com a voz… Amanhã não sei como vou fazer a FNAC. [toca e canta] “Quando dei por mim / mudei de caminho / encostei no fundo do coração / e cantei sozinho / fiz um tamborim / com as minhas mãos / e a canção surgiu / como nasce a luz numa escuridão / e inspiração, me lembrei de mim / lendo a minha mão / e a melodia fazendo contas no meu cordão / tudo era destino / tudo aconteceu / pra dizer em verso que minha vida já escreveu / Quando dei por mim…”
Zé Luiz  Quem conhece Wilson das Neves sabe essa história da sorte.
Moacyr Luz  Tudo dele é “ô sorte”, “ô sorte”. Vocês vão entrevistá-lo. Fechou, né, bicho?
Tacioli  Fechou.
Max Eluard  Se deixar, Moacyr, a conversa vai demorar mais três dias.
Tacioli  Não quero nem olhar minha folhinha.
Moacyr Luz  Tem mais alguma coisa que você acha fundamental?

Tags
Moacyr Luz
de 23