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Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

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Moacyr Luz

parte 18/23

Não gosto de ser chamado de sambista. Sou um compositor!

Max Eluard  Moacyr, você tem um disco só com canções, além outras canções compostas, mas parece-me que o espaço do samba é muito maior. É verdade?
Moacyr Luz  Ele foi sendo ocupado.
Max Eluard  O samba foi tomando conta.
Moacyr Luz  Eu vou dizer uma coisa: estou muito atento ao que se chama de MPB. Nunca gostei desse questionamento. Aliás, não gosto nem de ser chamado de sambista. Sou um compositor! Mas estou muito assustado com o que se chama de MPB. Fazer musica, eu faço música. Pela vigésima vez, sou compositor. Mas estou muito distante das coisas da MPB. Por mais que eu faça essas músicas, eu não tenho mais essa cara. Era o nome de um disco que eu queria botar: Preto não sou , branco não consigo ser. [risos] Não tenho essa cara, não tenho roupa para isso mais. Sabe aquele samba que você me convidou? Eu não tenho roupa para ir a uma festa de MPB. Não tenho paciência. Não tenho mais compreensão melódico-harmônica. O Dobrando a Carioca, que fiz com Guinga, Zé Renato e Jards Macalé, foi um marco em minha vida. Fizemos quase 70 shows, em vários lugares do Brasil. Fizemos Curitiba, os 920 lugares da Casa de Música lotados. Vitória, 650 lugares, lotados. Tudo lotado! Lotado de pessoas que querem música. E qual era o nosso discurso nas entrevistas: “sabe qual é o grande segredo do nosso show? Não tem segredo! O segredo é música!” A gente cantava “Toada”, do Zé Renato, que é um sucesso popular, mas fazíamos como introdução [canta] “Fui me embora na beira do rio / meu amor foi comigo morar / a saudade mata a gente / Morena / Morena vem comigo…” Cantamos essas coisas e as pessoas vieram abaixo.
Zé Luiz  Vocês chegaram a assistir a esse show?
Seabra  Eu vi lá no SESC Pompéia.
Moacyr Luz  No Pompéia? Então você está entendendo o que estou dizendo. Você assistiu no Pompéia? Então, vou dizer uma coisa antiga que conversamos há três dias [risos]. Cantei o “Anjo da Velha Guarda” e, de repente, parei e as pessoas da platéia continuaram cantando. O Guinga me disse: “Essa música foi gravada por quem?” [risos] Foi demais, não foi?! É o fenômeno da resistência, que é o que estamos fazendo aqui. Eu e o meu fígado! [risos]

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