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Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

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Moacyr Luz

parte 10/23

Meu nome é rádio comunitária!

Max Eluard  O que eu acho triste nisso tudo, Moacyr, não sei se você concorda, os artistas que surgem fora do eixo Rio-São Paulo têm que se transferir para cá para que a carreira seja reconhecida. Por exemplo, o Zeca Baleiro, que é maranhense, o Chico César, que é da Paraíba.
Moacyr Luz  O Zé Luiz sabe da minha opinião sobre o Chico César. Sou apaixonado pelo Chico César. Eu o conheci em 90. Ele já morava em São Paulo. Participamos do mesmo festival, que era o Festival de Avaré. Eu o conheci, conheci Zeca Baleiro. Quem me levou para esse festival foi Lenine. Sou amigo do Lenine de editora, da gente correr junto atrás de muita coisa. Todos já eram fabulosos como são hoje. O que me chamava a atenção no Chico é que ele tinha uma música popular, ele tinha uma música bonita de se ouvir, ao mesmo tempo que era diferente. Então, chamo muita a atenção para esse lance. E isso é evidente quando o Chico faz alguma cantoria daquelas da Paraíba, às vezes, até se confunde se você assistir a algum filme que passa por aquele momento, como Central do Brasil. Aquela cantoria existe! Você pode pegar, tem uns dez lá. Acho, inclusive, ele muito importante para a cidade de São Paulo. O Zeca Baleiro sabe do que estou falando.
Max Eluard  Mas você não acha que num país com esse tamanho deveriam existir condições para ele ficar na Paraíba?
Moacyr Luz  Isso é o que eu acho do caralho, bicho! Aquilo que a gente estava falando, esquecer esse mundo todo dos negócios que existe e vivermos em outro mundo. Só que esse mundo artístico tem um pouco de vaidade, né? Mas você poder ser auto-suficiente em sua região é maravilhoso!
Max Eluard  Mas não digo ser auto-suficiente no sentido dele só fazer sucesso lá, mas de sua música chegar a São Paulo e ao Rio, por exemplo, mas sem que ele precisasse sair de sua terra.
Moacyr Luz  Vamos continuar contando aquela história de que o dia tem 24 horas. Não adianta que não tem espaço para tocar mais do que 24 horas. Temos que esquecer essas rádios. Falei isso há cinco anos, não sei se o Zé vai lembrar disso. Meu nome é rádio comunitária! Eu queria subir tudo quanto é morro do Rio de Janeiro. Hoje o Lobão está falando disso; falo desde 1997. Eu queria rádio comunitária. Pô, ontem fiz o Metrópolis [n.e. Programa da TV Cultura] à meia-noite e meia, e nego viu! Fiz TV Senado agora em Brasília, semana passada, e nego viu, porra!

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