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Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

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Moacyr Luz

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Devoto dos bons temperos

Moacyr Luz nos recebeu acompanhado do amigo, produtor e conviva assíduo de suas iguarias às sextas-feiras, Zé Luiz, nosso anfitrião no paulistano Villaggio Café, local do encontro. Ao comando de ambos, o bom Barbosa serviu doses de boa uca, oferecida pelo entrevistado para descontrair falas e ânimos. Cachaça e cervejas à parte, o relaxamento se deu, mesmo, com a chegada de sua cumbuca, cheia de sal. E assim, com o violão nos braços, à vontade, cantou parcerias com Martinho e Luiz Carlos da Vila e um inédito samba-enredo oferecido à Mangueira por ocasião da homenagem à Chico Buarque em 1998 – ainda mais (en)cantável que o escolhido, palavra de folião que atravessou a avenida naquele ano pela escola campeã.

Devoto de São Jorge, o compositor conta que “recebe” as melodias prontas, feitas. Diz que não mexe, não altera mínima nota do que compôs. Mas nisto não há um trabalho desatento, pois são muitas as que vêm e vão para as gavetas. Há ainda outras impressões e histórias – de pratos rápidos, parcerias longas, boas pingas e maus hábitos –, nem todas presentes aqui, que Moacyr é também excelente de papo – recheado de boas imagens, como a das esquadrias de alumínio para retratar a música promovida pelas gravadoras.

Nas telas que seguem, a tantas, Moacyr Luz lista seus professores: “Aprendi a ouvir com o Hélio Delmiro e a falar com o Aldir Blanc”, respectivamente o primeiro mestre de violão e o parceiro mais constante. De Tom Jobim, tomou lições para o fígado. Mas ficamos sem saber, pelo escasso tempo das ligeiras três horas de conversa, com quem Moacyr educou-se nas artes culinárias. Contudo, a verve para o bom tempero, tal como para a boa música, talvez seja inata, escrita em braile, nos ossos, com a licença de outra poeta, também amante de sambas, boa conversa e petiscos.

Se não me animo a provar o prato nobre das sextas-feiras na casa do compositor – à base de quiabo e jiló –, folgaria em acompanhar um destes encontros na Zona Norte carioca. Isto porque, encerrada duas, três vezes, a conversa não acabou de todo mesmo com todos em pé, depois da rápida sessão de fotos a que o compositor foi submetido, já em altas horas, no meio da rua. Para a leitura que se seguirá, recomendo ao menos um queijo com salame – e Luz nos ouvidos.

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