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Entrevistas de música brasileira

Mauricio Pereira

Cantor e compositor Mauricio Pereira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Mauricio Pereira

parte 8/19

O Zeca Pagodinho é o nosso Chet Baker

Max Eluard – Além dessa agonia que está entrando no disco novo, existe essa história da busca desesperada pelo som paulistano. Você já pensou sobre ele? De onde ele vem? Onde ele se forma? A grande característica de São Paulo é essa heterogeneidade maluca. E como é esse som paulistano, então?
Pereira – Bom, no meu texto isso já está quase resolvido. O Mergulhar é um disco em dialeto. Fui tocar o show do Mergulhar na surpresa em Porto Alegre e um jornalista me falou: “Você, depois do Rossi, do Pavilhão 9, é o cara do texto mais paulistano que já vi”. Eu concordo. Esse novo vai ser na mesma… Não preciso fazer esforço para isso. Gozado, porque musicalmente procuro isso desesperadamente, mas não me dá desespero. Eu queria vê-lo na minha frente. Mas isso pode levar 10 discos, 20 anos. E eu sei que, só por causa dessa angústia, já vou estar sendo paulistano. Então está resolvido, embora eu quisesse ver a foto e a legenda, “Isso é paulistano”. “Amar é…” [risos]. Não vai ter, né?! Outro dia, no posto de gasolina, conversei com um frentista sergipano. Ele ouvia forró no rádio. E eu “Puta, que banda legal!”, foi antes de eu saber quem era. “É forró pé-de-serra!” “Pé-de-serra?” “É!” “Genial. Como é o nome dessa banda?” “Falamansa!” [risos gerais] “Caralho! Falamansa!” E toquei com a Falamansa uma vez. É um forró pop de paulista. O mundo é tão louco, que foi o jeito de um cara, de um posto de gasolina, um cara que só ouvia Frank Aguiar, voltar os seus olhos para Luiz Gonzaga. Do mesmo modo como defendo o pagode com unhas e dentes. O pagode é paulistano, graças a Deus! O pagode abriu o olho para uma pá de gente ouvir Cartola, Nelson Cavaquinho.
Max Eluard – Abriu espaço para Dudu Nobre, por exemplo.
Pereira – Sim. E até para olharem o Zeca Pagodinho com mais respeito, por sua nobreza. Um puta artista, meu! O cara é o nosso Chet Baker, é um mestre! [risos gerais] É mestre!

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