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Entrevistas de música brasileira

Mauricio Pereira

Cantor e compositor Mauricio Pereira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Mauricio Pereira

parte 15/19

Todo mundo quer ser o Elvis!

Max Eluard – Que saída você vê para a produção de disco independente?
Pereira – Boa pergunta. Estamos num mundo fragmentado. Acho que temos que tocar no nosso bairro. São Paulo hoje, com essa prefeitura nova, da Marta, tem um approuch de cultura interessante, que não está estruturado ainda, mas é interessante. Entre Casas de Cultura, bibliotecas e parques, têm 100 lugares em São Paulo para se tocar. Até me chamaram para apresentar um projeto. Apresentei, não sei se vai dar certo. Fui mais utópico que político. Minha proposta é: no bairro, tocam os artistas do bairro. Tipo um festival permanente. E de quando em quando, pegam os bairros e os fazem rodar pela cidade. O que você faz com isso? Você dá voz para artistas de um bairro tocar pra gente que tem a mesma raiz cultural que eles. Segundo: você cria o hábito de o público ir a locais do próprio bairro. E não são só locais em que você vai dançar só pagode, charm ou forró. Lugar em que você vai ver artistas preocupados com outras coisas, que são da sua moçada. É uma utopia que tenho. É no bairro mesmo, cara! Aqui em São Paulo, quando você fala de bairro, você está falando 200 mil, 300 mil, um milhão de pessoas. Não sei se vai dar certo, mas acho que a solução é essa.
Max Eluard – Trabalhar na escala.
Pereira – Trabalhar local num primeiro momento, e junto com isso, Internet, ter o site e botar o seu MP3. Terceira coisa: rádio comunitária. Teoricamente, tem um formulário numa agência de correio. Vocês já viram isso? Tem um papagaio na capa, verde e amarelo. Algo assim: monte a sua rádio comunitária. Você diz quem é a associação a que você está ligado, as coordenadas da sua antena, e coisas assim. Então, se desse certo isso… É um negócio político, dizem que não aprovam quase nada, mas acho que São Paulo podia ter umas 200 comunitárias. E cada uma com um raio de 2 km. Seria uma puta solução, porque você especifica o público, você pode ter as notícias do seu bairro, as músicas da sua galera, os artistas locais. Fiz muito no meio da década de 90, quando tinha muita comunitária e pirata. Na tradição basicamente foi divulgado em piratas e Internet. Fiz muita rádio, muita rádio. Fui em Jandira, no Tucuruvi. Onde tem serra, tem muita rádio, porque é alto. E tinha rádios muito boas. Pô, tinha rádio com perua de reportagem. Todas com telefone, fazendo pergunta ao vivo. Mas tinham as ruins também. A maioria fechou. Mas é uma solução. Você vê, tudo que estou falando é fragmentado, é local. Comunitária, um quilômetro em volta. Casa de cultura é nos bairros e na periferia. Internet, que também é para uma pequena galera. A solução é essa, localizar, localizar. Como isso é difícil de acontecer, e como o sonho de todo mundo é o sonho antigo, todo mundo quer ser o Elvis, né?! Então, é difícil!

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