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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 5/27

Ganhei como Revelação no 1º Festival Audiovisual de Cataguases

Dafne – Agora, você é jurada e incentiva novos talentos. Mas você lembra de alguém que deu esse incentivo no começo de sua carreira?
Maria Alcina – Tive muitas pessoas que me ajudaram, claro, mas a gente vai mesmo é atrás do sonho, fazer valer e se fazer valer. Minha carreira sempre foi por aí, seguir o fluxo natural do dom. Foram acontecendo coisas e eu… Mas o dom sempre falou mais alto. Olha, meu pai falava que menina era pra casar. Todos meus irmãos estudaram música. Menina é pra casar. Minha mãe camuflava, ela sempre me deu a maior força. Comecei cantando na minha terra, Cataguases, em todos os lugares que tive oportunidade. Mas eu não estava cantando porque tinha lugar pra isso, era porque eu tava ouvindo minha alma, o meu dom, dando vazão ao dom natural que Deus me deu. Isso é a coisa mais importante. Quando existe isso, claro, as pessoas vão aparecendo e você vai fazendo sua história.
Tacioli – Então o seu pai não lhe apoiou nesse começo?
Maria Alcina – Pai não apoia! [risos] Pelo menos não na minha época. Tanto que meus irmãos estudaram música e eu, não, fiquei frustrada. Mas comecei a cantar. Uma vez vi um grupo de teatro e eles estavam fazendo uma coisa tão bonita que pensei, “É isso que eu quero fazer!” Estava com um primo meu, o Pedro Paulo. “É isso que eu quero. Quero cantar, dançar!”. A louca, né? “Quero cantar, dançar, fazer tudo.” Aí esse meu primo me levou a um cara, um intelectual, que escrevia umas peças, Joaquim Branco. Ele escreveu uma chamada Não há vagas, mas houve vaga pra mim. [ri] Nessa peça eu fazia tudo aquilo que queria. Daí comecei a conviver com os artistas da minha cidade, porque eu era operária de fábrica…
Tacioli – Você tinha quantos anos?
Maria Alcina – Uns 16 anos. Nessa convivência com grupos de teatro e músicos, fui chamada para participar da trilha sonora do filme O anunciador do homem das trombetas. Cantei, falei poesias… Era do Paulo Bastos Martins. Aí o Joaquim [Branco] fez o 1º Festival Audiovisual de Cataguases e eu participei. O Nelson Motta estava lá, o Antonio Adolfo… Foi um negócio revolucionário na época… Tava o Torquato Neto, o Grupo Mercado, o [Jards] Macalé… Foi uma coisa! foi um festival que entrou para a história. Ganhei como revelação no festival. Ah, a trilha sonora do filme foi gravada no Rio de Janeiro. E lá fui eu gravar logo depois do festival. Tive que esperar no estúdio quem estava gravando antes. E quem estava gravando? O Antonio Adolfo. Ele sai e me encontra. Olha, gente, é coisa de estrela! [risos] Nasce uma estrela! Minha vida é toda assim, uma bobagem! [risos] Ele me reconheceu, “Você não é aquela moça de Cataguases?”. “Sou.” “Você é legal. Porque não fica aqui no Rio?” – porque fui pra gravar e voltar, mas aí acabei ficando, tudo foi me levando pra ficar…
Dafne – Você foi ao Rio sozinha?
Maria Alcina  Tava com uns amigos que também vieram gravar a trilha sonora. A gente estava perto da casa do Nelson Motta, na Rua Paissandu. Acabei ficando nessa casa, arrumei emprego, primeiro na Brazuca, que era a empresa do Antonio Adolfo.
Dafne – E era o nome da banda dele também, né?
Maria Alcina – É. Eles lançaram o Toni Tornado. Eu vi aquela preparação toda. Dois anos depois tava eu com “Fio Maravilha” no Maracanãzinho. Que maravilha! [risos] Pode colocar o título aí, “Nasceu uma estrela!” [risos]

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