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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 3/27

Ui, tô comendo as penas!

Tacioli – A Aracy de Almeida fala em um disco [n.e. Ao vivo e à vontade, 1988] que quem apertava a buzina era o Silvio [Santos], mas bomba estourava na mão dela… Enfim, cada jurado tinha uma característica. No Raul Gil existe isso? Existem personagens?
Maria Alcina – O programa do Raul Gil corre com total liberdade dos jurados. Quando a gente está naquele aperto com candidatos excelentes, ele sempre fala para o espectador que não interfere em nada. Por isso é gostoso estar ali e é gostoso pra quem está vendo. Fica claro! E outra coisa: quando a gente vota e depois quem ganhou retorna, é gostoso quando a gente acerta. Fico fascinada como a gente consegue escolher, com o ouvido, a percepção, que é o melhor. Legal também encontrar depois quem realmente se transformou em profissional. Eles sempre lembram de alguma que falei na hora da escolha, coisas que a gente não lembra. Ih, fiz Bolinha, Raul Gil, agora e antes, Paulo Barbosa, Ney Gonçalves Dias… Sou veterana, né? [risos] O Raul Gil me chama de Virginia Lane, Aracy de Almeida, Dercy Gonçalves [risos]… [n.e. As penas de seu “cocar” caem na frente do rosto] Ui, tô comendo as penas! Ele vai me chamando pelos nomes das cantoras, das vedetes, porque tô sempre assim no programa… É uma delícia! Quando ele me chamar de novo de Aracy vou cantar “Na Glória”! [risos] Quando ele me chamou de Dercy, cantei “A perereca da vizinha”. É legal esse bate bola.
Tacioli – E quais as diferenças entre esses vários programas que você já participou? Tem algum que você goste mais?
Maria Alcina – É sempre música, né? Mesmo o Ney Gonçalves Dias, que era um programa com jornalismo e tudo mais, havia a parte musical. E eu sempre participo como uma cantora que tem identificação com a proposta do programa.
Tacioli – Houve algum momento constrangedor nesses programas?
Maria Alcina – Não. Pra completar o que eu estava falando da pergunta passada… Eu começo a delirar e saio do ritmo… Quando falei que é legal ver quando a gente acerta na escolha do calouro, olha, é só ver quem está do meu lado. Tem o Zé Messias. O Zé Messias é do meu tempo de “A grande chance”. Eu já passei por ele e agora ele ali do meu lado. Olha que lindo isso, gente! O Cacá Rosset é um diretor de teatro. O Elymar Santos é um cantor de sucesso, de projeção nacional, da cultura do samba, enfim, tudo. A Marly Marlei, que é uma mulher que veio do teatro de revista, sabe de dança, sabe de palco, é uma atriz. Então, há um equilíbrio maravilhoso e o candidato que vai ali tá muito bem alicerçado.

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