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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 27/27

Não tenho mais fantasias

Dafne – E depois do Bar Brahma, da festa dos 30 anos de carreira, o que vem pela frente?
Maria Alcina – Não tem nada programado. Estou lá com o Gasparetto participando da Companhia das Luzes… Mas passo pra vocês qualquer novidade.
Almeida – Mas pode ser sonho também. Essas coisas que ficam rondando a cabeça…
Maria Alcina – Boa pergunta. [risos] Teve esse negócio da UOL, voz e violão… mas a gente sempre pensa que tudo vai dar certo. É claro. Ninguém pensa em algo que vai dar errado. [risos] Não funciona. Mas é que não deliro mais. Não fico alimentando porque acabo pensando nas dificuldades. Não sei se estou errada, se estou certa. Mas acho que é porque tive oportunidade de viver tanto a realidade do grande sucesso quanto a do não tão grande sucesso. E todas com alegria. Mas sempre bate na cara a realidade, porque quando você não tá fazendo sucesso você perde a imunidade. Se uma pessoa não gosta de você ela se sente no direito de te mandar à merda. “Não, você não pode pedir esse cachê porque você não é mais sucesso, não tá na mídia”… Eu já ouvi de tudo. Não tenho mais fantasias. Pelo menos agora. Acho que tá rolando comigo uma grande maturidade, de me expor como uma profissional. Também, não é pra menos… olha o que eu já falei! [risos] Não se pode passar impunemente, você não pode continuar… não é alienada, não… Às vezes há uma ingenuidade natural, mas não dá pra ser ingênua todo o tempo. De vez em quando ainda faço umas burradas legais. Fortes. [risos]
Tacioli – E se você pudesse mudar algo nesses seus 30 anos de carreira, o que você mudaria?
Maria Alcina – Não, isso não. Engraçado, né? Eu não mudaria nada, não. É o tal negócio, se você pudesse voltar faria tudo igual? Igual também eu não faria, porque não sou doida. [risos] Queria só do bom e do melhor, mas mudar também não.
Tacioli – Nenhum arrependimento?
Maria Alcina – Não.
Tacioli – E sempre foi assim?
Maria Alcina – Também não! [risos] Eu acho que sobrevivi muito bem às questões negativas da minha profissão. Pelo menos das coisas que aconteceram comigo. Acho que comecei a rir de mim. Isso é muito bom. Quando você ri de você mesma em situações que podem ser extremamente dramáticas… sei que tudo acontece, tá tudo certo. O show que não teve hoje vai ter amanhã. Nem sempre foi assim, já tive momentos em que o medo me paralisou. Não conseguia sair de casa. Mas a música sempre me deu retorno, sempre foi minha aliada. Sempre me resgatou.

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