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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 25/27

Ídolos? Dalva de Oliveira e Maricenne Costa

Tacioli – Existe algum ressentimento com o Ney Matogrosso? Porque já lhe compararam com os Secos & Molhados…
Maria Alcina – Olha, sou antes dos Secos & Molhados… Ele cantava fino e eu grosso, daquele mesmo jeito em Minas… E muitas pessoas me falaram que tinha muita vontade de ver Maria Alcina e Ney Matogrosso juntos. Um dia encontrei com ele na TV Bandeirantes e conversamos um pouquinho. Ele disse que falaram pra ele também. Gente, ia ser bárbaro, principalmente naquela época, mas ele nunca quis fazer um show comigo. Acho que foi mais um desejo do público. Eu toparia, lógico! Também entra aquela coisa de… naquela época ele tava no auge e eu não tanto. Tem isso, mas penso até hoje. Acho que daria um bom caldo.
Tacioli – Com quem mais daria um bom caldo?
Maria Alcina – O Chico César. Um dia eu tava lá em casa e toca o telefone. “Oi, eu sou Chico César. Queria te convidar pra participar de um show meu lá no Crowne Plaza”… Era um show com vários convidados. Mas não sabia quem ele era e que já cantava na noite. Topei na hora, sem pensar muito. Fizemos o show e foi bárbaro. Seguimos fazendo alguns shows, mas quando ele montou a banda, fui para os Estados Unidos. Lá eu cantava músicas dele… “Folia de príncipe”… E quando voltei ele tava estourado. Então todo aquele trabalho a gente fez junto deu um ótimo caldo. Essa coisa de minha de ter muita liberdade bate bem com outros artistas. Já fiz shows com a Havana Brasil, com o Funk Como Le Gusta… nossa, com o Funk Como Le Gusta dá um caldo grosso! [risos] Com sustança!
Almeida – Você não tem ídolos?
Maria Alcina – O Gilberto Gil. Ele foi a pessoa que me deu o tom. Adoro a Cássia Eller, tem umas músicas que gostaria muito de cantar, mas como ela morreu recentemente não gosto de mexer. Não é que não tenha ídolos, gosto de todo mundo. Gosto de observar… mas você sabe que quando a gente é profissional não tem muito tempo pra ter ídolos. Você entende o que estou falando?
Almeida – Entendo. Você olha mais de igual pra igual.
Maria Alcina – É mais uma coisa de observar.
Almeida – Uma troca.
Maria Alcina – Isso, uma troca. Como cantora tenho a Dalva de Oliveira. Ninguém canta daquele jeito. Tem a Maricenne Costa. Maravilhosa! Ela é meu ídolo. Olha aí, aos poucos vai pintando. Vi a Maricenne em um programa de TV. Pensei, “Nossa, essa mulher tem um coisa”. Você nota logo uma coisa dessas, independentemente de como a pessoa esteja, independentemente de qual programa ela esteja. Quem tem aparece. Ela é o máximo.
Tacioli – E musicalmente, do que você não gosta?
Maria Alcina – [silêncio] Tem músicas que não tenho intimidade. Já me falaram pra cantar blues, mas não tenho intimidade, não é que não goste. Música é som e som vem com você. A gente não sabe como isso chega. Quando você me pergunta como cheguei ao Jorge Ben… tem uma coisa de histórico-social, a gente não sabe porque, é a cor, a pele, a gente não sabe. Meu sentimento é muito brasileiro e não tenho intimidade com músicas que não sejam brasileiras. Com música latina já tenho mais. Claro. Bate tudo quebrado. Uma salsa e a nêga fica louca! [risos] Com a Célia Cruz a nêga fica louca, tá lá o vozeirão… ihhhh! Quando gravei “Kid Cavaquinho”, do João Bosco e do Aldir Blanc, foi porque havia uma coisa ali, um ritmo, uma coisa de negão, o que ele [João Bosco] faz com a voz… e a música é um sucesso por causa de uma identificação. Quantas pessoas já cantaram essa música? Aquele “Genésio” tem uma pegada [risos]… Nem ele cantou daquele jeito, é uma outra pegada. O João Bosco é muito ritmo, o Jorge Ben também… Acho que minha pegada é muito de ritmo. De quebradeira eu entendo bem, eu sinto bem.

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