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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 22/27

"Caralho, não tô morta!"

Tacioli – Alcina, esse é o Daniel.
Daniel Almeida – Prazer. Desculpem-me pelo atraso. [risos]
Maria Alcina – Ah, você fazia parte…
Almeida – Faço.
Dafne – Não faz mais. [risos]
Almeida – Depois dessa não faço mais.
Dafne – Você não precisa responder às perguntas dele. [risos]
Maria Alcina – Ai, mas a gente foi longe, hein!
Tacioli – Alcina, o personagem já lhe pesou alguma vez?
Maria Alcina – É uma coisa muito interessante porque quando a minha carreira começou a tomar outro rumo, no sentido financeiro, eu pensei… “Gente, eu não vou botar aquele plumeiro pra entrar no busão, não! [risos] Mas aí eu achei que fiquei bagaça de mais, sabe aquela que vai deixando… agora eu consigo separar a Maria Alcina cantora, que tem uma estética, da Maria Alcina que vai buscar o leite das crianças.
Tacioli – Essas duas figuras são amigas?
Maria Alcina – São amigas. Mas também chega uma hora em que quero andar despreocupada na rua, não quero que encham o meu saco… porque na hora em que você precisa que o público vá lá prestigiar você voltar, ele não vai, porque então deixar que ele te encha o saco quando você vai ao mercado, ao Correio, na fila do ônibus, na chuva, né? É, porque tem ônibus que demora pra chegar. [risos] E sempre mulher, né? [faz uma voz fininha] “Ah, gostava tanto de você!”… Eu tô ali inteira na frente dela e a mulher fala que gostava de mim! Caralho, não tô morta! As pessoas não tem senso. Olha, lidar com isso é muito difícil. Mas agora já consigo administrar.
Almeida – Você…
Tacioli – Pode desconsiderar, Alcina. [risos]
Almeida – É só vocês tirarem na transcrição.
Maria Alcina – Tadinho! [risos]
Almeida – Se você já respondeu isso não precisa falar. [risos] Do mesmo jeito que a Elke Maravilha virou uma espécie de madrinha dos gays, queria saber se isso aconteceu ou acontece com você e como foi?
Maria Alcina – É verdade. Acho que é porque apareci no mercado de um jeito muito diferente. Um mulher muito diferente. Tenho amigas que disseram que, quando apareci, achavam que eu era travesti. Porque, naquela época, era muito ousado para ser uma mulher… e eu também acho que eles se identificaram porque é uma luta muito parecida, é a batalha de se fazer valer, tanto na sexualidade quanto… é mostrar a que veio.
Almeida – Atitude, então.
Maria Alcina – Atitude! Essa é a palavra. Atitude é uma palavra tão legal.

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