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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 20/27

Não posso mais ficar pensando nessa coisa de sucesso

Tacioli – Se hoje você voltasse a fazer sucesso em grande escala, como aconteceu nos anos 70, o que mudaria na sua relação com o sucesso? Lembrando que também por causa do mercado esse sucesso pode voltar a sumir…
Maria Alcina – É, engraçado, né? Acho que não tenho mais essa visão de sucesso.
Tacioli – Já teve?
Maria Alcina – Não. Tenho uma visão de estar acontecendo. Tudo pra mim é um grande sucesso. É claro que não estou começando. Lá em Cataguases eu não tinha essa [ri]… Às vezes ouço as pessoas falando de sucesso, mas quando olho pra trás, puxa vida, e não computar isso como um grande sucesso… Eu não faço mais isso comigo. Se pinta coisa do mercado é outra história, mas tenho público quando faço os meus shows. Se entro nesses lugares de grandes shows, não vou levar 20, 200, 300 mil pessoas. Pelo menos nesse momento. Não sei o que pode acontecer comigo daqui cinco anos. A gente pode estar falando de outra coisa. O importante é a gente ficar… eu pelo menos estou quieta e sigo trabalhando, estudando. Não posso mais ficar pensando nessa coisa de sucesso, por isso tenho chance até de que ele aconteça.
Dafne – Ano passado [2002] você fez uma série de shows no Supremo…
Maria Alcina – Foi lindo! Esse show foi escrito pelo Cervantes.
Dafne – E como era?
Maria Alcina – Esse show tinha uma qualidade musical muito diferente daquilo em que vocês estão acostumados a me ver. Cervantes pegou clássicos da música brasileira. Eu cantava em inglês também, umas duas músicas na abertura. A Cristiane Neves assinou os arranjos para piano, baixo acústico e percussão. Às vezes havia algum baterista e sopros, um pessoal da Havana Brasil. Chiquérrimo! Lotamos o Supremo!
Dafne – E esse do Bar Brahma?
Maria Alcina – Ah, esse sou eu mesma. Meu show, minhas músicas, sem muita elucubração.
Tacioli – Por que você mesma? Você não se reconhecia no show do Supremo?
Maria Alcina – É que são músicas diferentes, estéticas diferentes… A questão musical é diferente.
Giovanni – Os arranjos.
Maria Alcina – Os arranjos. E nesse show [do Bar Brahma] eu não estou com preocupação nenhuma. É uma celebração de 30 anos de carreira. Eu tava cantando Adriana Calcanhotto e coisa e tal e um cara grita “Bacurinha!” [risos] “Ah, vocês querem ver a bacurinha?” O Brahma é mais extrovertido, né? Mas esse [do Supremo], “Eu e Maria Alcina”, foi o Cervantes quem escreveu. Ele já escreveu outros shows pra mim, mas esse foi supermarcante porque era muito diferente.

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