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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 19/27

Se eu pego as músicas do Gerônimo, tenho certeza do sucesso

Tacioli – Hoje em dia dá pra conciliar vida artística com mercado?
Maria Alcina – Não saberia te responder. Como cantora, precisava fazer um CD, ter grana pra bancar divulgação no rádio… Essa é a diferença de ser contratada por uma gravadora, pelo menos na minha época, né? A música tocava porque o radialista gostava da música. Acho que o mercado mudou muito, não depende mais do artista. O que atenderia a exigência do mercado pra Maria Alcina entrar? O que seria isso? Bem, eu precisaria de muito dinheiro também… Hoje tem uma industrialização, ninguém entra mais pra ver o que vai acontecer, pagar pra ver…
Tacioli – A espontaneidade se perdeu?
Maria Alcina – Existe, mas existe a questão do mercado… Eu não estou falando nem de espontaneidade, nem de talento, nem nada.
Tacioli – Espontaneidade pra chegar nesse mercado.
Maria Alcina – Pra mim falta bancar mesmo.
Giovanni – Quer dizer, você acha que não basta ter somente um bom disco…
Maria Alcina – Não, eu creio que não. Quantos bons discos a gente sabe que existem e que não se ouvem no rádio.
Dafne – Mas você não imagina…
Maria Alcina – O que é que tem por trás disso? Eu não sei. Também não tem ninguém interessado em mim, gente!
Giovanni – Nós! [risos]
Dafne – Mas você não imagina um outro tipo de sucesso longe das grande gravadoras? Quero dizer, tem os grandes sucessos de 300 mil cópias, mas também há outros sucessos menores, em vez do grande público, um público menor…
Tacioli – Mas mais estável.
Maria Alcina – Vocês estão falando de discos, né?
Dafne – Discos, shows…
Maria Alcina – Eu estou trabalhando normalmente, fazendo shows lá no Brahma… e esses relançamentos da Warner são lindos, maravilhosos… Os remixes, “Paraíba”, “Fio Maravilha”… Acho que posso gravar outro disco…
Dafne – Li em uma matéria que dizia de um projeto seu de gravar um disco com composições do Gerônimo.
Maria Alcina – É uma vontade que a gente tem, porque ele é genial. Acho que o trabalho dele bate muito com as coisas que eu penso, principalmente porque é rítmico. Mas não tenho dinheiro pra bancar um CD…
Dafne – Mas você não acha que esse projeto tem mais uma cara independente do que de uma grande gravadora?
Maria Alcina – É o tal negócio, se eu pego essas músicas do Gerônimo, independentemente da gravadora ser grande ou não, tenho certeza que vai ser sucesso.

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