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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 1/27

O Raul Gil foi calouro várias vezes... E gongado 17 vezes

Dafne Sampaio – O microfone tá bem?
Giovanni Cirino – O microfone? Tá bem, tá ótimo. [risos]
Maria Alcina – Vocês já têm um release meu? Gente, são trinta anos, né? Que beleza! [risos] É muito bonito isso. Tem coisa pra contar. [ri]
Ricardo Tacioli – E fotos de arquivo, ficam com você? Ou com o Cervantes?
Maria Alcina – O Cervantes tem. Eu também. Precisando é só falar, eu moro aqui pertinho. Vou ver na seqüência.
Tacioli – Perfeito.
Dafne – Vamos?
Tacioli – Vamos.
Dafne – Eu tava vendo o Raul Gil… Você grava o programa dele na quarta?
Maria Alcina – É. E vai ao ar no sábado.
Dafne – Há quanto tempo você faz esse programa?
Maria Alcina – Desde janeiro, aos sábados. Antes eu fazia o que ia ao ar na segunda, o “Raul Gil em Tamanho Família”. Eu sempre trabalhei com o Raul Gil. Faz muito anos que trabalho com ele. Desde a Record antiga lá na (avenida) Miruna. Trabalhei com ele na Manchete e agora na Record, aqui. Ih, trabalho com ele ó… Acho que até na TVS [n.e. Antiga SBT], quando ele foi da TVS. Cantando e fazendo parte do júri.
Dafne – Fazia muito tempo que não via o Raul Gil… Mas como é o trabalho de jurada sendo cantora? E o que tem mudado no estilo das pessoas que cantam na TV?
Maria Alcina – Acho que a minha experiência como cantora me ajuda a observar os detalhes entre os candidatos. Isso é óbvio. Mas tem também a minha vivência, porque a gente se identifica. Eu também já fui candidata. [ri] Participei da “A Grande Chance”. Venci a primeira vez e perdi a segunda. O próprio “Fio Maravilha”… quando cantei no Maracanãzinho… Também fui candidata como eles. Então, tive a mesma expectativa que eles têm. Observo pela minha ótica, a ótica da minha vivência.
Tacioli – Você acha que os candidatos daquela época são diferentes dos de hoje?
Maria Alcina – Sempre, né?
Tacioli – Mas eles têm uma expectativa diferente?
Maria Alcina – Freqüentei poucos programas de calouros. Um no Rio de Janeiro. Quando você cantava ia para o trono. Não era o Chacrinha, não. Eles colocavam uma coroa na sua cabeça, mas se o galo cantasse você perdia. [risos] O galo cantou pra mim! [risos] Na “A Grande Chance” eu ganhei na primeira e perdi na segunda.
Tacioli – Com qual música?
Maria Alcina – A primeira música que cantei foi “Roda”, do Gilberto Gil. A segunda… eu perdi, não lembro. [risos] Óbvio que não vou lembrar de uma coisa que me destruiu, nem morta! [risos] O Festival da Canção, em 1972, premiava uma música nacional e uma internacional. O “Fio Maravilha” não ganhou o festival, mas fez tanto sucesso que inventaram um júri popular para justificar o fato de não terem dado o prêmio pra música. Então a minha história foi sempre uma história diferenciada. Agora, a expectativa que você tem quando não é um profissional e quer se tornar um é sempre de ter um bom resultado. Ter sucesso naquilo que você está fazendo. Obviamente quando você é um profissional, a expectativa também é a de obter sucesso. Desde que seja um sucesso que te faça bem e faça para os outros também. É essa experiência que uso. Acho que o Raul Gil sabe conduzir muito bem os jurados e os candidatos. Ele conduz muito bem, porque também é um cantor. Ele sempre cita isso. Foi candidato várias vezes como calouro… E foi gongado 17 vezes. [risos] Ele sempre fala isso! “Fui gongado 17 vezes!” [risos] É isso que dá, inclusive, o sabor para o sucesso do programa. São pessoas que têm histórias parecidas com as histórias daquelas pessoas que estão ali começando. Sem contar que a gente começa sempre, né? Então, eu aprendo muito ali. Quando eu vejo um candidato nervoso, querendo que as coisas aconteçam, penso “Nossa, hoje eu, com a minha idade e com tudo que fiz, tem umas coisas que tenho medo de fazer”. Aí aquele candidato me ajuda a preservar a tenacidade, essa coisa que a gente não pode perder.

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