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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 18/27

Eu era um anjo pra resolver os problemas das mulheres

Tacioli – Hoje você ainda sente que não é levada a sério da forma que gostaria?
Maria Alcina – Também não tem mais nenhum problema, porque não tem mais tempo pra me cobrarem. Independentemente de qualquer coisa, eu sobrevivo e vivo de música, e exatamente por isso tenho liberdade pra me comunicar. Abri novas frentes pro meu trabalho. Acho tudo ótimo e o que me perguntarem eu respondo. O que eu sei eu faço, o que não sei, não faço. Não dependo da aprovação de ninguém e também ninguém tá aí pra mim [silêncio]… Mas é, porque quando você fica solta no mundo, você fica ótima. Maria Alcina é uma marca. Isso é coisa da Maria Alcina. Isso tem a cara da Maria Alcina. Por exemplo, os espetáculos que fiz com o Gasparetto são teatro. Um é musical e o outro é drama. Abri frentes de trabalho para minha sobrevivência.
Tacioli – Quem dirigiu esses espetáculos do Gasparetto?
Maria Alcina  Ele mesmo. Foi uma oportunidade legal de trabalhar. Canto, sou jurada, faço teatro…
Tacioli – E como você se apresenta na peça? É um personagem?
Maria Alcina – É um papel. O primeiro foi um anjo. [risos] Olha que delícia, gente! Pra resolver os problemas das mulheres na Terra. O anjo entra com a Nenê de Vila Matilde cantando “Alô, alô, quem me chamou?”… só eu posso fazer essas coisas, com esse temperamento. No outro sou uma mãe, morro [risos], e passam minhas memórias de mãe. É um trabalho maravilhoso. Ele dirigiu, fez tudo… é também uma questão de sobrevivência. O teatro é uma frente ampla de trabalho.
Tacioli – As pessoas que vão lá e vêem que no elenco está a Maria Alcina, o que elas esperam?
Maria Alcina – Bem, elas já tem uma imagem da Maria Alcina. Por exemplo, se fosse um negócio com a Gal… eu sei quem é a Gal… agora, me surpreendo se ela faz alguma coisa que eu não esperava.
Tacioli – Você acha bom?
Maria Alcina – Isso é ótimo! É pra isso que a gente é artista. Agora o mercado é outra coisa. Acho que é muito bom a gente frisar e ter claro o que é uma coisa e o que é outra, porque aí você não sofre. Também, vivo a minha vida modestamente, não vivo a vida da star que eu era nos anos 70.

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