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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 14/27

Senti o que é fazer muito sucesso

Tacioli – Depois do festival e do primeiro disco, você tinha claro uma linha pra sua carreira?
Maria Alcina – Não, você pode ver que quando conto sobre alguma coisa que aconteceu é porque aconteceu! [risos] Aconteceu! Nada programado.
Tacioli – Mas esse ‘aconteceu’ em algum momento lhe chateou?
Maria Alcina – Nunca, somente veio coisa boa. E as coisas ruins deixo no armário lá de casa. Minha irmã que falava assim… “Pega o bicho, guarda-o dentro do armário e deixa lá!” [risos] Adoro essa coisa que minha irmã falou. [ri] Aprendi a lidar com o positivo. O negativo deixo em casa.
Tacioli – E não há mágoas?
Maria Alcina – Que tem, tem, mas eu esqueço! [risos] É verdade. Ultimamente não reclamo mais nem com os amigos. Tô aprendendo a… “Ninguém presta atenção! [risos] Vou ficar falando sozinha? Não sou louca!” [risos] Ainda não. Mas voltando, acho que a única parte programada que teve na minha carreira foi com o Mauro Furtado na Number One. Ele realmente me produziu. Contratou maestro pra parte musical [n.e. Maestro Severino Filho]. Quando faço aquele grande sucesso e continuo cantando na Number One já não é tão… Uma vez o Marcos falou pra mim que eu não tinha escolhido ser uma cantora e ficar dentro de casa… Pensei, “Caralho, ele pensou que eu morri?! Ainda não morri, não!” Ele tinha um escritório na [Avenida] Angélica, não sei se tem ainda… Desci triste, porque a pessoa fala com você como se você estivesse acabada. Porque é que você não escolheu? Agora? E quanta coisa já aconteceu pra mim depois daquilo tudo! Também acho que vale a gente entender o que tá fazendo. É que nem pai e mãe. E também na profissão a gente tem que deixar o pai e a mãe da gente pra entender o que tá fazendo, pra entender a sua profissão. Por que você é jornalista? Por que você é fotógrafo? E sem pai nem mãe, né? E quando ele falou isso fiquei pensando… ele tem razão! [risos] Não escolhi mesmo! Acho que tenho aprendido bastante e tô bem assim.
Tacioli – Teve algum produtor que ficou bastante tempo com você? Ou que poderia ter lhe ajudado nessa construção de carreira? Você sentiu falta disso?
Maria Alcina – Senti, sim, porque senti bastante o que é fazer muito sucesso e depois não ter aquele sucesso… comercial. Porque o sucesso está sempre com você. O sucesso tá com você, mas existe o mercado e esse você não pode esquecer. E é muito dramático passar por essas coisas sem sentir alguma coisa. Claro que senti. A minha carreira tomou outro rumo. Já não tive as mesmas condições que tinha. E fui viver as condições que tinha. Fiquei desestimulada, assim… Pensei, “Caralho, o que tá faltando eu fazer?” Pra mim, né? Nem para os outros e nem para o mercado. Não tem mais nada!
Giovanni – Aí você foi estudar.
Maria Alcina – Fui estudar. Senti que eu queria… Fui alimentar a minha menina. Costumo dizer assim. [ri]
Giovanni – E como foi pra você o reflexo da volta do estudo na carreira artística?
Maria Alcina – Peguei de novo a disciplina, a disciplina interior de você estimular suas vontades. E me senti mais estimulada, mesmo! Acho que voltei à vida. Agora parei um pouquinho… Desde que comecei a trabalhar no Espaço Vida e Consciência, com o Gasparetto, há uns três anos, fazendo shows, dando aulas com ele… Pra fazer o trabalho com ele, sempre estudo muito.
Tacioli – E como é esse trabalho?
Maria Alcina – É o espiritualismo independente. Não saberia chegar e dar o texto. Fiz duas peças com ele, É do babado! e Mama mia Brasil, sempre paralelas. Aí até parei de estudar de novo. Fiz até a 8ª série, porque tudo lá é à noite e, às vezes, por causa de trabalho, a gente precisa negociar o tempo, né?

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