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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

Maria Alcina. Foto: divulgação

Maria Alcina

parte 13/27

Bethânia mexeu comigo por causa do timbre da voz

Dafne – “Fio Maravilha” é de 1972 e o seu primeiro LP saiu somente no ano seguinte, em 1973.
Maria Alcina – É, e o repertório foi basicamente o que eu cantava no Number One. As músicas da Carmen Miranda [n.e. “Alô, alô?”, de André Filho, e “Como vaes você?”, de Ary Barroso]… O Paulinho da Costa trabalhava comigo na boite… Quando canto “Me dá… me dá” [n.e. Composição de Cícero Nunes e Portello Juno] é porque a gente fazia junto.
Dafne – Ouvindo o disco dá pra notar duas vertentes bem claras. De um lado, músicas antigas, de cantoras do rádio, como “Alô, alô?” e “Como vaes você?”, e do outro, compositores mais novos como Gil e Caetano [n.e. Autores de “No dia em que eu vim embora”].
Maria Alcina – É, o próprio movimento tropicalista trouxe de volta alguns cantores do rádio. Era quase que natural resgatar pessoas que fizeram parte da cultura da música.
Dafne – O Caetano gravou Vicente Celestino. [n.e. “Coração materno”, registrada no disco Tropicália ou Panis et Circensis, 1969]
Maria Alcina – Exatamente. É bonito isso na música popular brasileira. De vez em quando penso nisso.
Tacioli – Naquela época você se considerava uma tropicalista?
Maria Alcina – Engraçado, somente hoje penso nisso. Ah, sou muito doidona, mas por quê? Influência do comportamento da minha geração. Mas também os festivais, né, gente? Foram uma influência muito grande. A Elis Regina cantando “Arrastão”. Ouvi ela no rádio do meu tio. Achei que ela tava ali dentro do rádio. [risos] A Marília Medalha com aquela voz grave. Aí veio a Maria Bethânia cantando “Carcará”… Foi uma coisa que mexeu muito comigo por causa do timbre da voz. Lembraria de outras cantoras dos festivais… os festivais da Record, né? A gente tá falando de uma época muito rica da história brasileira.

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