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Entrevistas de música brasileira

Luiz Tatit

Luiz Tatit por João Correia/Gafieiras

Luiz Tatit

parte 17/18

Nunca tive uma inspiração na vida!

Tacioli – Luiz, você tem pavor ou medo de alguma coisa?
Luiz Tatit – Barata! Barata é a única coisa que me tira do sério.
Tacioli – Aquela música da Palavra Cantada não é sua, né?! [n.e. Sandra Peres e Paulo Tatit cantam a tradicional “A barata diz que tem” e o “Duelo de mágicos”, que também cita o inseto]
Luiz Tatit – Não, eu jamais falaria sobre isso! [risos] Da única coisa que eu tenho medo mesmo é de barata! Isso eu confesso!
Almeida – O que você faz, joga um livro?
Luiz Tatit – Eu não consigo matar, eu tenho muito medo! Mas quando a coisa não tem jeito só com vassoura porque tem uma certa distância. Não consigo chegar perto para matar.
Tacioli – Das voadoras você vai pro chão!
Luiz Tatit – Nossa! Já tiveram coisas que são folclore na família! [risos]
Tacioli – Fale uma!
Luiz Tatit – Já me atirei de uma janela por causa de barata voadora que veio em minha direção! [risos]
Tacioli – Mas você estava no térreo, né?
Luiz Tatit – Foi nessa janela aqui. Mas se não estivesse eu também teria pulado! [risos] O perigo da barata é muito maior! Preciso manter distância! [risos]
Tacioli – Mas qual foi o estopim, o trauma?
Luiz Tatit – Desde criança tenho pavor. É um bicho que me causa não somente asco, mas medo. Tenho medo desse bicho… É algum trauma que eu prefiro não tentar entender! [risos]
Tacioli – Luiz, você falou bastante da entoação, do canto falado, você é um cara que observa os sons que vêm da rua, é um cara que anda atento pela cidade?
Luiz Tatit – Jamais!
Tacioli – É? Você não sofre com isso?
Luiz Tatit – Não, de jeito nenhum!
Tacioli – Mas admira esse tipo de coisa?
Luiz Tatit – É aquela história que eu estava falando pra vocês antes: pra mim, composição é como escrever um texto, é sentar pra fazer. Se eu não estiver com essa disponibilidade… Nunca tive uma inspiração na vida! [risos] Só se a gente chamar de inspiração isso que durante o trabalho aparece. Agora, inspiração é ter de parar de fazer alguma coisa pra (escrever), pelo contrário, pra mim compor é uma coisa trabalhosa, é algo que eu evito até, só porque eu me sinto na obrigação de ter de fazer, senão eu não faria. Então, eu jamais vou aproveitar uma coisa, ainda mais na hora em que estou descansando, se (a inspiração) vier, eu esqueço da ideia se, por ventura, ela vier fora de hora. Não tenho essa relação, até acredito possa existir, mas até desconfio. Eu acho difícil, eu acredito que tenha gente que trabalhe assim, mas eu não consigo…

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