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Entrevistas de música brasileira

Luiz Tatit

Luiz Tatit por João Correia/Gafieiras

Luiz Tatit

parte 13/18

Fazia as músicas praticamente sozinho

Max Eluard  Agora, como você pensa o álbum, Tatit? Você pensa em um conceito ou você vai compondo músicas e, de repente, você vê ali, no que você já tem, uma liga?
Luiz Tatit  –
 Normalmente é isso. Você tem as canções e daí você tenta ver se há algo, um elemento constante que justifique ter um álbum, agrupar, que tenha uma certa unidade. Normalmente, a partir de canções prontas. Aliás, é a mesma maneira de compor cada canção. Nunca você compõe dizendo “Vou compor sobre tal coisa!”. Não existe. Você fica com frases soltas, palavras soltas, sem qualquer sentido uma com a outra. Daí, a última coisa que você vai organizando é o tema. “Ah, fiz uma música sobre tal coisa!”, mas quando acabou, antes você não tem ideia do que vai sair. É mais ou menos como o CD. Você tem aquelas músicas, acha que pode funcionar, que elas podem dar bons arranjos e vai fazendo…
Max Eluard  E tem aquelas mais antigas que estão lá…
Luiz Tatit  É, exatamente, daí você começa a fechar um sentido, um conceito, para quem está interessado em conceito, porque para quem não está, tanto faz, né?! Eu tenho certo interesse que, depois no final, fique com uma cara, mas jamais prejudicaria o ingresso de uma música por causa disso. Ponho as músicas que são importantes pra mim naquela época. Aí é a forma mais habitual de fazer disco.
Tacioli  Luiz, como você avalia a sua carreira musical pós-Rumo, dos discos que você produziu? Um disco era de um jeito, outro de canções… teve um colorido diferente pós-Rumo?
Luiz Tatit  É mais o que está em torno, a maneira de compor, não. A maneira de compor é quase como eu fiz uma continuidade do Rumo, não tive qualquer intenção a não ser a continuidade. Até as últimas canções que não deram para ser gravadas pelo Rumo fizeram parte do (meu) primeiro disco. [n.e. Álbum Felicidade, lançado em 1997, produzido por Manny Monteiro e composto de 13 faixas autorais] Quero dizer, foi continuidade, realmente. O que vai mudando é o entorno, as pessoas que fazem arranjos, as pessoas que produzem, as pessoas que trabalham comigo, parceiras ou não. Eu comecei a fazer mais parcerias depois do Rumo. No Rumo eu praticamente fazia as canções sozinho. E depois eu comecei a ter parcerias mais habituais, começando com a própria Ná (Ozzetti), depois o Zé Miguel me trazia muitas canções para eu fazer parceria, depois o próprio Paulo (Tatit), o meu irmão, no trabalho infantil, vinha com melodias para eu fazer letras, e acabei fazendo muitas letras, sobretudo da primeira fase. Daí, a parceria com a Ná; a Ná é uma compositora bissexta, então quem acabou pegando o bonde foi o Dante (Ozzetti), que compõe mais habitualmente. Comecei a gostar muito das melodias dele. Começaram a surgir outras oportunidades: com o Fábio Tagliaferri, o próprio Itamar (Assumpção) num determinado momento resolveu me passar umas letras por telefone, aquela história. E eu comecei a fazer com ele também, mais pela história que a gente tinha tido, e daí fechei em alguns nomes quase que são sempre os mesmos, como o Chico Saraiva. Então, os meus CDs começaram a incorporar algumas parcerias, coisa que o primeiro não tinha nenhuma. Felicidade são somente músicas minhas. Depois começaram as parcerias, que enriqueceram um pouco o meu repertório, que ficou um pouco mais distendido, não ficou muito fechado.

Capa do primeiro disco individual de Luiz Tatit, Felicidade (1997). Foto: reprodução

Tacioli  Você tinha alguma reticência com relação à parceria?
Luiz Tatit  Ninguém conseguia fazer música como eu conseguia fazer no Rumo. Eram muito diferentes, eram difíceis de fazer. Depois eu mesmo fui abandonando aquele estilo no sentido de não precisar ter aquelas características, de violão colado na entoação, e fui fazendo muito letra, porque as pessoas me solicitam mais para a letra, e fui curtindo muito depreender o que aquela melodia poderia dizer. Fazer letra é isso. Fiquei ávido nisso. Conseguia até fazer com uma certa rapidez, descobrir o que uma melodia pode dizer. Então, fiz muitas, até a produção minha cresceu demais depois do Rumo por causa disso, porque comecei a fazer muitas letras pra várias composições.

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