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Entrevistas de música brasileira

Luiz Melodia

Luiz Melodia por Dafne Sampaio/Gafieiras

Luiz Melodia

parte 25/25

Acho um horror a sonoridade do Pérola negra

Max Eluard – Tem alguma coisa que a gente não perguntou e que você gostaria de falar?
Seabra – Use a liberdade.
Max Eluard – Como diz o Abujamra, “enforque-se com a corda da liberdade!”
Melodia – Pô, o meu disco está aí, Retrato do artista quando coisa, isso é uma composição, ou melhor, um poema do Manoel de Barros, uma das músicas mais interessantes desse disco. Se eu fosse você… [risos] eu compraria e ouviria o restante. É maravilhoso! Muito bacana! Tem duas canções: uma ofereço a mim mesmo, que é de um compositor chamado Oswaldo Nunes. Eu, quando garoto, gostava muito dos sambas dele. “Levanta a cabeça” é uma canção que transpus para reggae e que você também precisa ouvir. Tem uma outra que ofereço a minha mulher, Jane Pinto Reis – eu sou o Tarzan [risos] -, que é uma música do Anísio Silva…
Jane – O que você falou?
Melodia – Que é uma música do Anísio Silva, “Sempre comigo”. Beijos, Melodia.
Tacioli – Maravilha.
Almeida – Tá ótimo.
Sampaio – “Levanta a cabeça” é muito legal.
Melodia – É um samba, um sambão que eu transpus para reggae.
Sampaio – Ela já havia sido gravada?
Melodia – Pois é, estou falando pra você…
Sampaio – Por ele mesmo?
Melodia – Oswaldo Nunes [n.e. Autor de sambas como “Vem ouvir”, “Chorei, chorei”, Estou gamado por vochê”, Samba do saci”, com Lino Roberto, e “Virou bagunça”, incluídos no LP O melhor do Bafo, Mocambo/Rozenblit, 1967], um sambista de um bloco chamado Bafo da Onça, que era o maior sucesso nos anos 60, 70. Só dava o Bafo da Onça. E o Oswaldo Nunes era o compositor direto do bloco. Essa é uma das paradas.
Tacioli – Luiz, você gostaria de ter participado mais da criação, da gerência do primeiro disco. Que coisas que estão no disco que você tiraria ou melhoraria? Você consegue ver isso?
Melodia – Nesse novo?
Tacioli – No Pérola negra.
Melodia – Sabe um lance que acho que foi um fracasso nesse disco? A sonoridade. O som dele. Acho um horror!
Max Eluard – Da qualidade técnica?
Melodia – Da qualidade técnica, de tudo. A sonoridade não é legal. Agora soa até bonito, maravilhoso, mas na época, quando gravei… Tenho essa loucura, quando gravo. Não sei se é com todos os caras, mas fico muito preocupado. Acho que está faltando coisas, sei lá.
Max Eluard – Mas isso é inquietação do artista, não tem como.
Melodia – É. Mas, por exemplo, na música em que o Altamiro Carrilho participa [n.e.”Estácio, eu e você”], a mixagem foi horrorosa. Era um disco que eu mixava total, tudo outra vez, mas, ao mesmo tempo, é assim que gostam, né?
Sampaio – É assim que está grudado.
Almeida – Registrado.
Max Eluard – Não acabe com o meu disco, não! [risos]
Seabra – Não acabe com a minha fita!
Melodia – Pô, é verdade, é verdade. Quando gravei “Estácio, Holly Estácio” com outro arranjo, nego queria me bater. [risos]

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